Um levantamento recente mostrou a realidade da construção civil em Brusque e acendeu o alerta para os casos de trabalhadores atuando sem registro. Entre janeiro e julho de 2025, foram vistoriadas 112 obras e entrevistados 357 profissionais. Do total, 273 estavam com carteira assinada, 58 atuavam como MEI, 19 de forma autônoma e 7 sem qualquer registro. Os dados revelam avanços, mas ainda expõem fragilidades quando o tema é segurança e legalidade no setor.
A análise foi detalhada pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brusque (Sintricomb), Isaías Otaviano, em entrevista concedida na manhã desta quarta-feira (27) ao programa Rádio Revista Cidade. Para ele, mesmo um número reduzido de trabalhadores sem registro já é preocupante. “Um só trabalhador sem registro já seria demais, porque ele coloca em risco a própria família e também toda a sociedade, que acaba arcando com as consequências caso haja doença ou acidente de trabalho”, destacou.
Isaías lembrou que, muitas vezes, alguns profissionais aceitam a condição de não ter a carteira assinada em troca de ganhar um pouco mais, mas que essa escolha traz riscos sérios. “Quando está trabalhando, parece que está tudo bem, mas o problema é quando acontece um acidente. Aí não tem proteção nenhuma e a responsabilidade acaba caindo sobre todos”, explicou.
Segundo ele, o sindicato tem atuado para orientar empresas e trabalhadores e, quando necessário, aplica multas previstas em convenção coletiva. Além disso, o crescimento do uso de MEIs e PJs também preocupa, já que nem sempre essas modalidades são usadas da forma correta, resultando em perdas de direitos trabalhistas.
Apesar de reconhecer que as condições melhoraram em relação a anos anteriores, Isaías reforçou que o combate à informalidade precisa ser constante e coletivo, envolvendo sindicatos, empresários e o poder público, para garantir segurança e dignidade a todos os trabalhadores da construção civil.



