O Conexão 92 desta quarta-feira (10) recebeu Jânio Johanson Junior (diretor da Escola Augusta Dutra de Souza) e a professora Érica Garcia Silveira Gonçalves para falar do Projeto MagiCubo, iniciativa que acaba de conquistar o Prêmio FECAM em Práticas de Excelência. Nascido em 2021 numa turma de 3º ano, o projeto hoje está presente em toda a rede municipal, com clubes de contraturno, aplicação em sala de aula e uma copa anual que chega à 4ª edição.
Como começou e por que deu certo
Segundo Érica, tudo começou quando ela levou um cubo para a aula de matemática para mostrar que “todo problema tem solução”. A atividade virou febre na escola, atravessou recreios, alcançou turmas do Fundamental 2 e, com o apoio da Secretaria de Educação, ganhou escala na rede.
Em sala, a metodologia (método de camadas, em sete passos) vai além do “brincar”: trabalha padrões de cores, lógica, lateralidade, leitura e interpretação, estimulando neuroplasticidade. Professores relatam melhora no raciocínio lógico; alunos do clube demonstram menos dificuldade em matemática e maior capacidade de resolver problemas do cotidiano.
Da sala de aula à pesquisa científica
A rede firmou cooperação com a UFRJ e a CensoPEG. Testes conduzidos por equipe coordenada pelo neurologista Fabrício (Centro de Cognição) comprovaram benefícios cognitivos da prática orientada com o cubo; um primeiro artigo saiu na Revista Europeia de Educação Inclusiva, a partir de recorte com as escolas Augusta Dutra e Alberto Pretti. Em 2025, o estudo avança: será randomizado e ampliado para 15 escolas.
Inclusão que vira protagonismo
O MagiCubo desdobrou braços para Educação Inclusiva:
“Cubito”: robô/cubo acessível (com interface por toque) pensado para estudantes com comprometimento motor (ex.: AVC intrauterino, paralisia cerebral). Além do pedagógico, já há uso em fisioterapia e pesquisa com público autista.
Versões magnéticas e sensoriais: peças maiores, com texturas e adaptação para baixa visão e DI, garantindo participação real nos clubes e nas aulas.
Autismo: estudantes do espectro passaram a ensinar colegas, ganhando protagonismo e ampliando interações.
Talentos e competição
A rede realiza a Copa MagiCubo (municipal), que chega à 4ª edição em 2025. Já houve alunos da Dutra competindo em torneios da federação (WCA). Para nível sub-10 (resolver em menos de 10s), são necessários centenas de algoritmos memorizados; nas escolas, todos aprendem pelo método de camadas, com dois algoritmos básicos, e cada um no seu tempo.
Reconhecimento FECAM
Durante o recesso, a Secretaria de Educação inscreveu o MagiCubo no prêmio da Federação Catarinense de Municípios. Entre mais de 300 trabalhos, o projeto foi contemplado pela robustez: presença na rede, copa, pesquisa em neurociência e protótipos de inclusão. “É um passo importante para a educação de Brusque”, celebrou Érica, destacando o apoio da secretária Fran e das equipes.
próxima data
EDUTEC + 4ª Copa MagiCubo: 1º de novembro (evento da rede; seletivas internas já em andamento nas escolas).
Categorias: 7; cada escola inscreve 2 alunos por categoria. Na Dutra, só em 2024 foram 50 tomadas de tempo para definir classificados.
“Alguém dá o primeiro passo. Com apoio e método, o MagiCubo virou rede, pesquisa e inclusão.” , Jânio Johanson Junior



