Na tarde desta sexta-feira, 12 de setembro, o prefeito de Botuverá, Victor José Wietcowsky (PP), reuniu a imprensa para se posicionar a respeito do processo que enfrenta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. A ação pode resultar na perda definitiva do mandato e na convocação de novas eleições no município.
Desde o final do pleito de 2024, quando saiu vencedor, Wietcowsky tem acompanhado os desdobramentos jurídicos do caso, que gira em torno do registro de sua candidatura. “Estamos lutando para defender o resultado que saiu das urnas. Como a própria imprensa tem destacado, quando isso acontece, é muito ruim para o município. Eu cito o exemplo de Brusque, onde trabalho há 11 anos como contador público concursado, e já presenciei essa situação duas vezes. Todos sabem o quanto isso atrasa o município e prejudica a população”, destacou.
Segundo o prefeito, a vontade popular precisa ser respeitada. Ele afirma que sua eleição representou um desejo de mudança. “A nossa candidatura foi aceita pelo povo porque Botuverá estava parado há muito tempo. O município tem pressa para crescer, e mesmo em nove meses já avançamos bastante. Claro que em quatro anos não será possível realizar tudo o que sonhamos, mas o risco de uma interrupção agora seria extremamente prejudicial”, disse.
Wietcowsky também chamou atenção para a complexidade do processo. Ele lembrou que no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Santa Catarina a decisão foi unânime em seu favor, mas que em Brasília o julgamento passou por reviravoltas. “No início, o placar era de 4 a 0. Hoje, apenas dois ministros mantêm aquela posição inicial. Ou seja, não é uma decisão simples, como alguns dizem. Os pedidos de vista, as reavaliações e até mesmo a retirada de votos mostram que os próprios ministros entendem a necessidade de mais debate.”
O prefeito relatou que esteve em Brasília nesta semana para acompanhar de perto o funcionamento do tribunal, mas negou que tenha havido encontros diretos com ministros. “Eles são muito reservados e não atendem diretamente as partes. Esse diálogo é feito pelas equipes jurídicas. A nossa ida teve o objetivo de conhecer o processo e também reforçar a defesa do voto da população.”
Durante a coletiva, ele revelou detalhes sobre a origem da controvérsia. Segundo o prefeito, o erro no prazo do registro da candidatura ocorreu em razão de um episódio grave: uma ameaça de morte contra o então candidato a vice-prefeito da chapa. “Antes de atribuir culpa ao partido, é preciso entender que se tratou de um crime que afetou diretamente o processo eleitoral. Eu sabia que ao colocar meu nome estava assumindo riscos para minha integridade, mas não esperávamos uma situação dessas.”
O chefe do Executivo municipal ainda comentou o desafio de conciliar a rotina administrativa com a tensão do julgamento. Ele lembrou que a votação no TSE coincidiu com a realização da maior festa bergamasca da história da cidade. “Foi um grande desafio separar as duas coisas. A cada dia da festa, chegavam novos votos contrários no processo. Imagina conduzir um evento daquele porte sem saber se permaneceríamos no cargo.”
Segundo Wietcowsky, os últimos acontecimentos trouxeram alívio. O pedido de vista do ministro Nunes Marques e a retirada de votos de outros dois ministros abriram espaço para uma nova análise. “Se não fosse isso, o julgamento poderia ter terminado na sexta-feira passada. Agora temos alguns dias a mais para governar com tranquilidade e entregar resultados à população.”
Ele também reforçou que, caso o TSE decida pela anulação da eleição, o caminho jurídico é claro: haverá novo pleito, e não a posse do segundo colocado. “Isso é pacificado desde a Constituição de 1988. Nunca houve caso em que um prefeito eleito com mais de 50% dos votos válidos tivesse esses votos transferidos ao segundo colocado. Em todos os casos, a saída foi convocar novas eleições. Além disso, não se trata de cassação por fraude ou compra de votos. O que está em análise é um indeferimento de candidatura, que não gera inelegibilidade. Portanto, tanto eu quanto o vice poderemos concorrer novamente.”
Ao encerrar a entrevista, o prefeito disse estar confiante. “O fato de ser reversível já está mais do que comprovado com os últimos acontecimentos no TSE. Temos convicção de que vamos cumprir os quatro anos de mandato, porque o voto da maioria da população precisa ser respeitado. Mais do que uma disputa jurídica, estamos falando da defesa da democracia e da vontade popular.”




