No Conexão 92 desta sexta-feira (3), o cardiologista Dr. Sílvio Soares Nogueira comentou o índice alarmante de mortes por doenças cardiovasculares no país e reforçou orientações práticas de prevenção. Segundo ele, a média diária registrada pelo Cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia oscila entre 800 e 1.000 óbitos. “É um número bastante alarmante e por isso tantas campanhas de prevenção. Esses registros existem desde 2016 e a média no Brasil ainda é essa”, destacou.
Fatores de risco estão aparecendo mais cedo
O Dr. explicou que a pandemia não é a causa direta do aumento, embora processos inflamatórios, como infecções virais, possam precipitar eventos agudos. O que mais preocupa é a antecipação dos fatores de risco, hipertensão, colesterol elevado, diabetes, sedentarismo, obesidade e estresse, em faixas etárias jovens. “Vemos cada vez mais cedo pessoas hipertensas e com colesterol alto sem saber, porque muitas vezes são fatores silenciosos”, disse. O médico também chamou atenção para uso de energéticos, álcool e esteroides sem indicação, que elevam o risco de arritmias e descontrole da pressão.
Sintomas que exigem atenção imediata
Entre os sinais de alerta, o cardiologista citou dor no peito (que pode irradiar para braço ou mandíbula, sensação de aperto ou sufoco), falta de ar, cansaço desproporcional ao esforço e palpitações. “Se o sintoma surge com frequência e relacionado a esforços físicos, chama muito a atenção, pois pode indicar problema coronariano que leva ao infarto”, explicou. Ele também lembrou que ansiedade e crises de pânico podem simular quadros cardíacos e precisam ser diferenciadas em avaliação médica.
Diabetes e coração: relação estreita
De acordo com Nogueira, diabetes, colesterol e pressão alta aceleram a aterosclerose, formação de placas que obstruem artérias. “A presença de placa em qualquer território já classifica o paciente como de maior risco. É preciso investigar e controlar principalmente a glicose no sangue, e os fatores que fazem essa placa crescer”, afirmou.
Check-up: quando começar e com que frequência
Para quem não tem fatores de risco, o médico recomenda avaliação básica a cada 3 a 5 anos entre 20 e 40 anos. Após os 40 anos, o ideal é check-up anual com consulta, exame físico, eletrocardiograma simples e exames laboratoriais. “Com medidas de estilo de vida , boa alimentação, atividade física regular, controle do peso e do estresse, mais de 70% a 80% está nas nossas mãos”, resumiu. Em casos de histórico familiar precoce (pai, mãe ou irmão), o acompanhamento deve ser mais cedo e mais rigoroso, com foco no controle dos fatores modificáveis.




