Figura histórica da Fenarreco e voz conhecida dos palcos e do rádio em Brusque, Ademir de Moraes revisitou memórias e anunciou planos para o futuro em uma conversa carregada de bastidores, afeto e serviço prestado à cultura local. Após breve retrospecto, ele confirmou que se prepara para a aposentadoria do serviço público e quer transformar décadas de vivência em registro permanente da festa.
A entrevista foi feita na manhã desta sexta-feira (24), no programa Rádio Revista Cidade. Logo de início, Ademir situou a raiz da trajetória: “No dia 2 de abril de 1984 entrei na Rádio Cidade.” Daquele estúdio, ele migrou para os palcos, onde a experiência de microfone virou marca registrada e o apresentou ao universo das festas de outubro.
O comunicador lembrou passagens de 1984 — enchentes, a mobilização comunitária e a inspiração que veio da Oktoberfest de Blumenau — até desembocar na Fenarreco, onde se consolidou como mestre de cerimônias. Entre a rádio e o palco, resumiu o espírito de quem vive comunicação: “Quem trabalha em rádio sabe que é uma cachaça, a gente não se desliga.”
Nas memórias, reaparecem lotações históricas, improvisos de bastidor, a logística para dar conta do público e momentos difíceis — como a suspensão de atividades por conta de enchente, quando coube a ele informar o público no pavilhão. A presença quase ininterrupta na festa virou identidade: “Nunca faltei numa Fenarreco.”
O anúncio mais esperado veio em tom sereno e objetivo: “2 de fevereiro já está lá assinado, a minha aposentadoria no serviço público.” A decisão, explicou, abre espaço para um projeto de preservação da memória da cidade, alinhado a uma cobrança antiga de quem o viu construir essa história.
Com o tempo finalmente a favor, Ademir disse que pretende organizar registros, ouvir personagens e amarrar capítulos que nasceram de palco, estúdio e rua: “Pretendo dedicar a parte da minha vida, da minha aposentadoria a contar os capítulos um a um da Fenarreco.”
Ao agradecer à Rádio Cidade e à comunidade, reforçou que o legado da Fenarreco merece documentação cuidadosa e acessível. A nova etapa — da crônica falada ao livro e ao arquivo – promete manter vivo o elo entre o apresentador e a principal festa do município, agora com o compromisso de transformar lembranças em história.



