No Conexão 92 desta sexta-feira (7), a convidada foi a pianista e compositora brusquense Yasmin Fischer, que apresentou seu novo trabalho autoral, o álbum Underwater. O projeto, contemplado pela Lei Aldir Blanc, reúne seis composições instrumentais inspiradas na relação humana com a água e na busca por momentos de calma e contemplação.
“O projeto se chama Underwater, que significa ‘sob a água’. Ele tem o objetivo de criar uma coletânea de composições autorais em torno do tema da água, que é um elemento que sempre me acalmou. Busco traduzir musicalmente essa sensação de tranquilidade e conexão com a natureza”, explicou Yasmin.
O álbum traz apenas composições instrumentais, todas de autoria da pianista. “São músicas sem canto, apenas piano e alguns efeitos. Elas criam uma ambiência como se estivéssemos realmente submersos. Uma delas é uma homenagem à baleia jubarte, espécie do nosso estado, e utiliza sons reais de baleias, como se elas estivessem se comunicando”, contou.
Gravado no estúdio Euphonia, no bairro Santa Terezinha, com produção de Demis Kohler, o álbum combina técnicas tradicionais e contemporâneas. Yasmin utiliza a técnica europeia piano felt, na qual um tecido é colocado entre o martelo e as cordas, resultando em um som mais suave e orgânico. “Essa técnica cria a sensação de abafamento, como se estivéssemos debaixo d’água. O som é mais íntimo, dá pra ouvir o toque do dedo, o barulho da madeira, é algo muito sensorial”, detalhou.
Metade das faixas seguem esse estilo acústico, enquanto as demais trazem camadas eletrônicas e efeitos ambientais. “Usamos alguns pads, que são sons contínuos e atmosféricos. Eles criam uma base para o piano e ajudam a compor essa sensação de flutuar. A ideia é que as pessoas ouçam e sintam o tempo desacelerar.”
A trajetória musical de Yasmin
A pianista, que iniciou na música ainda criança, contou como surgiu sua paixão pelo instrumento. “Meu primeiro instrumento foi a flauta doce, aos seis anos. Um dia, minha mãe tirou um teclado antigo do meu irmão debaixo da cama, e eu fiquei fascinada. Comecei a apertar as teclas e tentar reproduzir músicas. Depois disso, com nove anos, comecei aulas de piano e nunca mais parei.”
Durante a pandemia, Yasmin redescobriu sua conexão com o piano e começou a compor. “Foi um momento de recomeço. Eu precisava de um espaço pra me reencontrar. A natureza, o som da chuva e do mar se tornaram minha inspiração. Cada música reflete essa busca pela calma e pela cura.”
As apresentações e o lançamento
Além do lançamento digital em todas as plataformas, Spotify, Deezer e Apple Music, o projeto prevê contrapartidas culturais com duas apresentações gratuitas e intimistas nos dias 4 e 5 de dezembro, às 19h, no próprio Estúdio Euphonia, em Brusque. “As pessoas vão poder vivenciar como o álbum foi gravado. Quero que elas entrem nesse ambiente, entendam o processo, vejam o piano de perto e participem dessa imersão”, destacou.
O trabalho também terá uma versão didática. “Estamos editando as partituras de todas as músicas e vamos disponibilizar online gratuitamente, além de entregar uma cópia física à Fundação Cultural de Brusque. Assim, quem quiser aprender a tocar pode ter acesso a esse material”, explicou a artista.
Yasmin ainda comentou sobre a importância de aproximar o público jovem da música instrumental. “O piano é um instrumento universal. Não é algo distante nem elitista. Essa música é pra todo mundo, é pra acalmar, pra meditar, pra quem busca um momento de pausa no meio da correria do dia.”
O álbum Underwater marca a estreia de Yasmin Fischer como compositora e intérprete em um projeto solo. “É meu primeiro álbum e estou muito feliz com o resultado. Espero que as pessoas possam se conectar com ele e encontrar o mesmo sossego que encontrei ao criá-lo”, finalizou.



