A força da cadeia têxtil local abriu a entrevista desta manhã de terça-feira (11) no Rádio Revista Cidade: segundo Mauro Schoening, presidente da Associação de Micro e Pequenas Empresas de Brusque (AmpeBr), metade dos associados depende diretamente das rodadas da Pronegócio. Nas palavras dele: “50% do nosso associado hoje, a gente fez um levantamento nessa faixa, depende exclusivamente da nossa Pronegócio, das quatro rodadas que a gente faz por ano.”
Sobre o Preview de Inverno realizada recentemente, Schoening explicou que o encontro antecipa tendências e acelera pedidos para a 73ª rodada (janeiro). A prévia reuniu cerca de 12 compradores e 75 fabricantes, permitindo que o varejo do Sul já sinalize cores, pesos de peças e ajustes finos antes da coleção definitiva. O objetivo é ganhar tempo logístico para que as lojas recebam mercadorias entre o fim de janeiro e fevereiro, alinhadas ao início do frio.
Ele acrescentou que a AmpeBr profissionalizou a prospecção nos últimos meses, contratando consultoria comercial e investindo em tráfego pago para ampliar a base de compradores em estados como Mato Grosso e Pará. O movimento, diz, elevou a previsibilidade da rodada de janeiro e reforçou a responsabilidade da entidade em manter “a régua lá em cima” na organização do evento, já que muitos empregos na indústria local orbitam o calendário da Pronegócio.
A segunda metade da conversa tratou de um tema que mobilizou o comércio local: a ocupação de área pública na Beira Rio por uma empresa de fora, que montou estrutura de fim de semana para vender móveis artesanais sem alvará. Schoening, que articulou um canal com a prefeitura em nome do Conselho das Entidades, resumiu o sentimento do setor diante da prática: “É concorrência desleal.”
Segundo ele, a Secretaria de Desenvolvimento e Infraestrutura notificou a empresa e registrou autuação vinculada ao CNPJ. O efeito foi imediato — relata Schoening: “Então, imediatamente, no outro dia, eles recolheram e saíram e não voltaram mais.” Para o dirigente, a atuação rápida trouxe alívio aos lojistas que pagam impostos, aluguel e folha, e reforçou a necessidade de vigilância contínua, sobretudo às vésperas do Natal.
Fechando a entrevista, Schoening apontou o desafio estrutural da mão de obra — especialmente costureiras e facções — e disse que a entidade segue fomentando formação e arranjos produtivos para dar conta da demanda. Enquanto o pavilhão se prepara para a montagem em 5 de janeiro, a mensagem central do dirigente ficou clara: ajustar a coleção no preview, ampliar mercado e proteger a legalidade no comércio são peças do mesmo tabuleiro que mantém a engrenagem da confecção girando em Brusque.



