A presença de uma empresa de logística nos fundos da Rua Otto Kuchenbecker, no Jardim Maluche, Zona 2, tem gerado um impasse entre moradores e o empreendimento. Segundo relatos da comunidade, o local não seria destinado para instalação de uma transportadora, conforme diretrizes urbanísticas vigentes e decisões históricas da associação de moradores.
Durante a visita da reportagem à rua, foi possível observar intensa movimentação de caminhões entrando e saindo do imóvel, em diferentes horários do dia. Moradores afirmam que o fluxo ocorre de forma constante — inclusive durante a madrugada — e que isso tem resultado em perturbações, como barulho, dificuldade de descanso e impactos na rotina familiar.
Há queixas também sobre transtornos no tráfego local, como veículos pesados manobrando de ré na via, além de relatos de danos a calçadas e ao entorno. De acordo com moradores mais antigos, a atividade logística no local teria se intensificado há cerca de cinco anos, embora o galpão já exista desde 2016.
A comunidade afirma que, historicamente, a associação de moradores do Jardim Maluche e parte da área da Souza Cruz mantêm restrições quanto à instalação de empreendimentos desse porte na Zona 2, mesmo após revisões no Plano Diretor. Segundo os moradores, essas limitações visariam preservar características residenciais da região.
O que dizem a empresa e a prefeitura
A empresa responsável pelo local afirma operar regularmente, com todas as autorizações e licenças necessárias, classificando sua atividade como comércio, e não como transportadora.
Nota da empresa JRP Transportes Ltda
"A empresa JRP Transportes Ltda., por meio de seu representante legal, vem a público informar que exerce atividade de transporte de cargas do ramo têxtil há mais de uma década na cidade de Brusque/SC, sem que existam elementos que indiquem qualquer ilicitude nas atividades executadas em seu local de funcionamento perante os órgãos públicos.
A empresa JRP Transportes Ltda. possui todas as autorizações, alvarás e licenças vigentes para a execução de suas atividades, emitidas pelos órgãos competentes, bem como não possui qualquer autuação ou restrição administrativa, seja por construção irregular, poluição sonora, infrações ambientais ou de trânsito.
Por fim, informa que sua frota de caminhões opera em conformidade com a Resolução CONAMA nº 490/2018, que impõe limites rigorosos de emissão de poluentes e ruídos aos veículos de uso rodoviário destinados ao transporte de mercadorias."
O caso permanece em discussão, enquanto moradores seguem pedindo providências e o poder público avalia a situação à luz das normas vigentes. A movimentação constante de veículos pesados continua sendo o principal motivo de insatisfação entre os residentes da Rua Otto Kuchenbecker e arredores.
A gestão municipal, por meio do SEPLAN, informou que os alvarás e habits concedidos desde 2015 obedeceram às legislações urbanísticas vigentes, tanto para construção e ampliação do galpão quanto para o uso declarado. O órgão ainda mencionou que, na época, houve manifestação favorável da associação de moradores.
Nota da prefeitura de Brusque (SEPLAN)
"Referente à atuação da Transportadora JRP na Rua Otto Kuchenbecker, SEPLAN informa que todos os licenciamentos realizados no local foram emitidos em conformidade com as legislações urbanísticas vigentes à época de cada processo.
Desde 2015, foram deferidos sucessivos alvarás e habite-se para construção e ampliação de galpão industrial, bem como para uso comercial, sempre com análise das atividades declaradas, compatibilidade com a zona urbana (Zona II - Jardim Maluche) e manifestação dos órgãos técnicos competentes. Também houve manifestação favorável da Associação de Moradores do bairro.
No que se refere aos incômodos relatados, como ruídos ou vibrações, a SEPLAN esclarece que estas questões extrapolam sua competência direta e devem ser apuradas pelos órgãos fiscalizadores ambientais e de controle urbano.
Adicionalmente, destaca-se que novos licenciamentos no local dependerão da aprovação de Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV), cuja documentação já foi protocolada e se encontra em análise pela Comissão Técnica Permanente de EIV, conforme prevê a legislação vigente."



