O mês de novembro é marcado por uma das campanhas mais importantes da área da saúde materno-infantil: o Novembro Roxo, dedicado à sensibilização sobre a prematuridade. A data chama a atenção para um problema que, embora silencioso, afeta milhares de famílias brasileiras todos os anos e permanece como a principal causa de mortalidade infantil no país. Mais do que discutir números, o Novembro Roxo propõe um olhar atento, humano e preventivo sobre os bebês que chegam ao mundo antes do tempo e sobre a rede de apoio necessária para garantir que cresçam com saúde e qualidade de vida. Foi com esse contexto que, na tarde desta quarta-feira (19), o programa Conexão 92 da Cidade FM recebeu a pediatra doutora Ana Maria Huber para uma conversa esclarecedora sobre o tema.
Durante a entrevista, a médica — que atua há 11 anos em Brusque após vir da Venezuela — explicou que o movimento surgiu para ampliar o conhecimento da sociedade sobre a prematuridade. Ela destacou que a conscientização deve começar muito antes do nascimento, reforçando que, "o novembro roxo é uma campanha para sensibilizar a prematuridade, ou fazer mais conhecida a prematuridade". Segundo a doutora, cuidar de uma gravidez planejada, acompanhada e saudável é um dos pilares essenciais na prevenção dos partos prematuros.
A especialista também detalhou os fatores que podem levar a um nascimento antecipado, que envolvem condições maternas como hipertensão, diabetes, obesidade, além de infecções e problemas relacionados ao bebê. Nem sempre, porém, a prematuridade pode ser prevista — razão pela qual o pré-natal adequado é decisivo. Ao tratar das expectativas das famílias, ela fez questão de reforçar que "nascer prematuro não é uma sentença", destacando que muitos prematuros evoluem muito bem quando recebem cuidados especializados desde os primeiros instantes da vida.
Outro ponto importante abordado foi o acompanhamento após a alta hospitalar e a aplicação do método canguru, prática que humaniza o cuidado neonatal ao permitir o contato pele a pele entre bebê e pais. A pediatra explicou que esse vínculo reduz riscos de infecção, favorece o ganho de peso e melhora o desenvolvimento neurológico. Ela também lembrou que cada prematuro tem necessidades específicas, reforçando que "um prematuro tem que ter mais cuidados, acompanhamento por mais do que um profissional", sempre conforme o grau de prematuridade e as condições do nascimento.
Ao encerrar a entrevista, Huber destacou que, apesar dos desafios, a tecnologia e a evolução do cuidado neonatal vêm ampliando significativamente a taxa de sobrevivência e qualidade de vida dos bebês prematuros — que hoje já ultrapassa 80% no Brasil. Para ela, o Novembro Roxo representa um chamado à reflexão coletiva: a prematuridade é séria, deve ser prevenida sempre que possível, mas pode ser enfrentada com informação, acolhimento e estrutura adequada. Uma mensagem que reforça a importância de discutir, apoiar e compreender aqueles que chegam ao mundo antes da hora.



