(ESPECIAL - VÍDEO) Jornada ao subterrâneo: a Caverna de Botuverá revela seus segredos milenares

A descida pelas entranhas da terra começa com um convite silencioso. Capacete ajustado, calçado firme e a certeza de que os próximos 50 minutos reservam um encontro com a história geológica do planeta. A Caverna de Botuverá, no coração do Vale do Itajaí, não é apenas um destino turístico — é um santuário esculpido pela paciência da natureza ao longo de milhões de anos.

A equipe da Rádio Cidade, formada pelo jornalista Dirlei Silva e pelo cinegrafista Luan Silva, embarcou nessa expedição guiada por Leandro Tabarelli, diretor administrativo do Parque das Grutas e Cavernas de Botuverá. Promovido ao cargo em fevereiro de 2025, Tabarelli soma 16 anos de atuação no parque, sendo 11 deles como guia efetivo, o que lhe confere profundo conhecimento do local.

Tabarelli conduziu o grupo — que incluía ainda Marcos Bueno da Fonseca Jr., secretário municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Juventude, e Margarete Leitis, diretora de Turismo — por galerias onde o tempo parece suspenso.

 

Um palácio subterrâneo a 100 metros de profundidade

O primeiro impacto vem logo na entrada do salão principal. A imensidão do espaço — 20 metros de altura, 60 de comprimento, a cem metros abaixo da superfície — impõe respeito. A iluminação estrategicamente posicionada revela o que a escuridão guardava: cortinas de pedra, agulhas que descem do teto e torres que emergem do chão.

“Um centímetro cúbico a cada cem anos”, explica Tabarelli, ao apontar para as estalactites que pendem sobre nossas cabeças. A informação transforma a percepção. Aquela formação de 20 centímetros diante dos olhos representa dois mil anos de crescimento silencioso, gota a gota, mineral sobre mineral. Tocar seria interromper uma obra iniciada antes mesmo do nascimento de Cristo.

O chamado “chão de estrelas” justifica o nome quando a luz incide sobre os cristais incrustados no piso. Em outro trecho, colunas robustas testemunham o encontro entre estalactites e estalagmites — um abraço geológico que pode levar dezenas de milhares de anos para se completar.

 

Do órgão à catedral: nomes que revelam formas

No Salão do Órgão, as formações roxas dispostas verticalmente evocam os tubos do instrumento musical. “A natureza como arquiteta”, resume o diretor, ao apontar estruturas que lembram castelos, torres medievais e cortinas de teatro petrificadas.

Mas é no Salão da Catedral que a sensação de sagrado se intensifica. Preservado pela dificuldade de acesso até meados do século passado, o ambiente mantém formações delicadas e praticamente intocadas. A comparação com uma igreja gótica não é exagerada: há algo de transcendente na geometria acidental do espaço, na luz que recorta as sombras e no silêncio que convida à contemplação.

Tabarelli relembra, com pesar, os tempos em que visitantes quebravam estalactites para levar como lembrança — prática hoje combatida com educação ambiental rigorosa e fiscalização constante. O parque limita cada grupo a 20 pessoas e proíbe terminantemente qualquer contato com as formações.

 

Um ecossistema no escuro

A caverna não está morta. Quarenta e duas espécies catalogadas habitam suas galerias: sete de morcegos e 35 de invertebrados. Algumas são endêmicas — existem apenas ali, em nenhum outro lugar do planeta. Grilos adaptados à escuridão perpétua, aranhas que tecem teias sem jamais ver o sol e minhocas que processam a matéria orgânica que escorre pelas fendas.

A temperatura estável, em torno de 20 graus, e a umidade elevada criam condições ideais para essa biodiversidade singular. Minerais como ferro, manganês, quartzo leitoso e calcita colorem as paredes e brilham sob as lâmpadas, transformando geologia em arte.

 

Entre a estrada e o subterrâneo

Localizada no bairro Ourinhos, a cerca de 30 quilômetros de Brusque, a caverna justifica a alcunha de Botuverá como “Terra das Cavernas”. Com 1.200 metros de extensão total — dos quais 200 estão abertos ao público —, é considerada a maior e mais ornamentada caverna do Sul do Brasil.

O acesso não é para desavisados: são 782 degraus no trajeto completo, entre descida e subida. A recompensa, porém, compensa o esforço. Para quem prefere permanecer à superfície, uma trilha pela Mata Atlântica leva a uma cachoeira, revelando outra face da riqueza natural da região.

Descoberta nos anos 1950 e estruturada para o turismo profissional desde 1998, a caverna conta hoje com infraestrutura completa: estacionamento, praça de alimentação e um plano de manejo que equilibra visitação e preservação.

 

O que fica depois da visita

Ao emergir novamente à luz do dia, após quase uma hora sob a terra, a sensação é de privilégio. Testemunhar aquilo que levou milhões de anos para se formar, caminhar por salões onde pouquíssimos humanos pisaram e compreender a fragilidade daquele patrimônio transforma o visitante.

A Caverna de Botuverá é mais do que uma atração turística. É arquivo geológico, laboratório vivo e uma aula de humildade diante da dimensão do tempo natural. Acima de tudo, é um lembrete: algumas obras não podem ser refeitas — e, por isso, merecem todo o cuidado que formos capazes de oferecer.

 

Projeto SC Sobre Rodas

A Rádio Cidade percorre regiões de Santa Catarina a bordo de um motorhome, revelando cultura, turismo e desenvolvimento pelas estradas catarinenses.

Disparo de arma movimenta autoridades no Guarani

Um disparo de arma de fogo movimentou as autoridades na madrugada desta quarta-feira (21), no bairro Guarani, em Brusque. A ocorrência foi registrada em uma agropecuária na Rua Ernesto Bianchini. As polícias Militar, Civil e Científica estiveram presentes no local. Segundo a PC, ainda está sendo apurado se o tiro foi causado por uma arma de fogo ou por uma arma de pressão. Ninguém se feriu. Ainda, houve outro registro de disparo de arma no...
Continuar lendo...

Mulher morre após ser atingida por viga de 900 kg em obra

Uma mulher de 44 anos morreu na tarde desta terça-feira (20) após ser atingida por uma viga de aproximadamente 900 quilos durante um acidente em uma obra na Rua Aubé, no bairro Boa Vista. A ocorrência foi registrada por volta das 16h. Equipes dos Bombeiros Voluntários e do Samu foram acionadas para o atendimento. Segundo o Samu, a vítima trabalhava na montagem de uma estrutura pré-moldada quando ocorreu o acidente, e testemunhas chamaram o...
Continuar lendo...

Justiça condena casal por latrocínio após venezuelano ser empurrado de penhasco em SC

A Justiça de Santa Catarina condenou um homem e uma mulher pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte) cometido em março do ano passado no Morro dos Conventos, em Araranguá. A vítima, um venezuelano, morreu após ser empurrada de um penhasco de cerca de 80 metros, sofrendo traumatismo cranioencefálico. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, a mulher atraiu a vítima fingindo interesse afetivo e marcou um...
Continuar lendo...