No início deste ano, um casal da Grande Florianópolis alcançou um marco raro e delicado: Paulo Huller e Ernestina Walter Huller completaram 100 anos de vida com poucos dias de diferença e celebram também 78 anos de casamento. Uma história que chama atenção não apenas pela longevidade, mas pela constância de uma vida construída a dois.
Naturais de Angelina, no interior de Santa Catarina, eles se conheceram ainda jovens, durante atividades ligadas à igreja da cidade. O encontro simples deu início a um vínculo que cresceu rapidamente e se transformou em casamento no ano de 1947. Desde então, dividiram a rotina, os desafios e as conquistas de uma trajetória marcada pela parceria e pela presença diária um do outro.
Há mais de 50 anos, Paulo e Ernestina vivem na mesma casa, em São José, onde mantêm uma rotina tranquila. Hoje, os cuidados são compartilhados pelos filhos, que se revezam para garantir atenção, companhia e apoio nas tarefas do dia a dia. A família permanece próxima, mantendo o lar sempre em movimento.
A celebração do centenário aconteceu no dia 11 de janeiro, reunindo familiares e amigos. Ao longo da vida, Paulo trabalhou como lavrador, enquanto Ernestina atuou como cozinheira na igreja e, posteriormente, como costureira. Da união nasceram oito filhos, além de netos e bisnetos que hoje carregam a continuidade dessa história.
Mesmo com as limitações naturais da idade, o casal segue ativo. Ernestina mantém o hábito de fazer caça-palavras e se dedica ao crochê e ao tricô. Paulo ainda gosta de cozinhar e participa do preparo das refeições, preservando pequenos gestos da rotina que sempre compartilharam.
Ao falar sobre o segredo de um relacionamento tão longo, Ernestina responde com simplicidade e firmeza: paciência e tolerância. Para ela, os conflitos fazem parte da convivência, mas não devem ser maiores que o compromisso de seguir juntos — uma lição silenciosa que atravessou décadas.



