Na tarde desta segunda-feira (2), o programa Conexão 92 recebeu Aline Fagundes Cunha, enfermeira responsável pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Brusque, que apresentou números oficiais do serviço e destacou os desafios enfrentados pelas equipes no atendimento diário à população.
De acordo com levantamento divulgado recentemente, a unidade de Suporte Básico do SAMU realizou 2.566 atendimentos ao longo de 2025, com acionamentos feitos exclusivamente pelo telefone 192. O serviço funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, atendendo Brusque, Guabiruba e Botuverá.
“Esses números mostram a importância do SAMU e o quanto as equipes trabalham diariamente. São ocorrências de diferentes naturezas, que exigem rapidez, técnica e responsabilidade”, afirmou Aline.
Durante a entrevista, a enfermeira explicou a diferença entre as duas bases do SAMU no município. A Unidade de Suporte Básico, localizada junto ao Corpo de Bombeiros desde 2017, é gerida pelo município e conta com um condutor socorrista e um técnico de enfermagem. Já a Unidade de Suporte Avançado, instalada próxima ao Hospital Azambuja, é administrada pelo Estado e funciona como uma UTI móvel, com médico, enfermeiro e condutor socorrista, atendendo toda a macrorregião do Vale do Itajaí.
“O número 192 é único para todos os municípios da macro. As ligações caem na Central de Regulação, em Blumenau, onde é feita uma triagem criteriosa para definir qual recurso será enviado: ambulância básica, avançada, helicóptero ou apoio do Corpo de Bombeiros”, explicou.
Aline também chamou atenção para o alto número de ligações indevidas, incluindo trotes. Segundo ela, Santa Catarina registrou cerca de 6 mil chamadas inadequadas ao 192 no último ano, sendo quase 2 mil somente no Vale do Itajaí. “Essas ligações prejudicam o atendimento de quem realmente precisa. Cada chamada passa por triagem e mobiliza equipes”, destacou.
Outro dado relevante apresentado foi o perfil das ocorrências atendidas. Os casos clínicos lideram os atendimentos, com 1.104 registros, principalmente envolvendo pacientes idosos com doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Em seguida, aparecem os atendimentos psiquiátricos, como surtos psicóticos, crises de ansiedade e tentativas de autoagressão.
“Essas ocorrências preocupam bastante. Atendimentos psiquiátricos só são realizados com apoio da Polícia Militar, por segurança do paciente, da família e da equipe”, explicou.
A enfermeira também falou sobre o impacto dos chamados classificados como QTA (quando o atendimento é cancelado após o deslocamento da ambulância). Aproximadamente 5% das ocorrências entram nessa categoria. “Às vezes a família leva o paciente por conta própria e não avisa. A equipe se desloca, chega ao local e a viatura fica indisponível por um tempo que poderia estar atendendo outra emergência”, alertou.
Aline reforçou a importância de comunicar imediatamente o SAMU caso a situação seja resolvida por outros meios. “Se levou por conta própria ou outro serviço já atendeu, ligue novamente para o 192 e avise. Isso faz muita diferença.”
Questionada sobre melhorias futuras, a enfermeira confirmou que já há estudos para ampliação do serviço, incluindo a habilitação de uma nova equipe. “Hoje, 74% dos pacientes atendidos são conduzidos ao hospital. Precisamos de mais uma ambulância para ampliar o atendimento e investir também em ações de prevenção”, disse.
Aline tambem agradeceu o reconhecimento e destacou o trabalho coletivo. “Os resultados positivos são fruto de uma equipe muito dedicada, que trabalha 24 horas por dia. Mesmo com dificuldades, o SAMU segue cumprindo seu papel de salvar vidas”, concluiu.



