A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (3), a operação Hora-Máquina para apurar suspeitas de superfaturamento em contratos de aluguel de máquinas pesadas e desvio de macadame e outros materiais para fins particulares, em prejuízo à Prefeitura de Gaspar. As investigações têm como foco fatos ocorridos no último trimestre de 2024, em Gaspar.
Segundo a Polícia Civil, em setembro de 2024 a Prefeitura de Gaspar publicou edital para aquisição de macadame e materiais semelhantes, com quantitativo estimado para um ano de trabalho. No entanto, em apenas três meses, as secretarias de Obras, de Agricultura e o Samae teriam esgotado toda a quantidade prevista na ata de registro de preços para determinados materiais, como macadame e areia industrial.
Ainda conforme a investigação, também foi consumida toda a quantidade de horas-máquina, especialmente de motoniveladora (patrola), restando nenhuma hora disponível para os meses seguintes. A Polícia Civil apurou ainda que uma mesma família teria criado diferentes pessoas jurídicas que concorreram entre si em licitações relacionadas ao fornecimento de macadame e ao aluguel de máquinas pesadas.
No aprofundamento das diligências, foram reunidos indícios de que materiais e horas-máquina teriam sido destinados para fins particulares, inclusive em terrenos privados pertencentes a servidores públicos investigados, o que teria contribuído para o rápido esgotamento dos contratos firmados pelo município.
Entre os investigados estão servidores que ocuparam os cargos de secretário de Obras, secretário de Agricultura e presidente do Samae, além de servidores responsáveis pela fiscalização dos contratos. Um ex-vereador, que não foi reeleito, também figura entre os alvos da investigação.
Durante a operação, foram cumpridas 12 ordens de busca e apreensão domiciliar, com o objetivo de recolher dispositivos eletrônicos, documentos, valores em dinheiro e outros elementos relacionados ao caso. Houve apreensão de quantia em dinheiro em imóveis ligados a empresários investigados. Não foram expedidos mandados de prisão.
A operação Hora-Máquina foi coordenada pela 4ª Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (4DECOR) e contou com a participação de diversas unidades da Polícia Civil em Santa Catarina.



