Na tarde desta segunda-feira (9), o programa Conexão 92 recebeu Camila Gilli, da equipe da Secretaria de Saúde de Brusque, que atua diretamente no acompanhamento e na prevenção de casos de HIV no município. Durante a entrevista, ela falou sobre as ações que vêm sendo intensificadas na cidade e apresentou dados atualizados sobre a situação da doença.
Camila explicou que o município mantém um trabalho contínuo de prevenção, com ações que se intensificam em períodos estratégicos, como feriadões e datas festivas.
“A gente já tem isso bem estruturado no município. Em períodos como véspera de Carnaval ou de feriados prolongados, fazemos ações fora do horário das unidades de saúde, justamente para alcançar pessoas que não conseguem acessar o serviço durante o dia. O objetivo é orientar, distribuir preservativos e ampliar o número de testagens”, afirmou.
Na semana passada, a equipe realizou uma ação mais direcionada, com visitas a casas de prostituição e bares da cidade, levando testes rápidos e autotestes de HIV.
“Hoje o autoteste está disponível pelo SUS e qualquer pessoa pode retirar. Nessas ações, a gente leva os testes para que essas pessoas possam se testar e também oferecer aos parceiros. Quanto mais pessoas testam, maior a chance de diagnóstico precoce, e isso faz toda a diferença no tratamento”, destacou.
Situação do HIV em Brusque
Segundo Camila, Brusque mantém uma média entre 30 e 50 novos diagnósticos de HIV por ano, número que vem apresentando redução ao longo do tempo.
“Quando eu entrei no serviço, a média era de cerca de 80 diagnósticos por ano. Hoje esse número caiu bastante. A gente acredita que isso seja reflexo do maior acesso à informação, das estratégias de prevenção como a PrEP e da ampliação da testagem”, explicou.
Ela também destacou um dado considerado histórico para o município.
“Brusque está há mais de 15 anos sem registro de transmissão vertical, que é quando o HIV passa da mãe para o bebê. Já são mais de 900 partos nesse período sem nenhum caso, o que mostra a importância do acompanhamento no pré-natal”, afirmou.
Preconceito e resistência ainda são desafios
Durante a entrevista, Camila ressaltou que, apesar dos avanços, o preconceito e a vergonha ainda dificultam a prevenção e o diagnóstico.
“Todo mundo tem vergonha de falar sobre sexo, mas é algo natural. Muitas pessoas deixam de buscar o preservativo ou de fazer o teste por medo do julgamento. Isso acontece tanto com jovens quanto com pessoas mais velhas, e acaba atrasando o diagnóstico”, pontuou.
Ela também lembrou que o HIV pode permanecer silencioso por muitos anos.
“O vírus não tem um sintoma específico. A pessoa pode ficar anos sem saber que tem HIV e só descobrir quando a imunidade já está comprometida. Por isso, a testagem regular é fundamental”, explicou.
Tratamento evoluiu
Camila destacou ainda a evolução no tratamento da doença, que hoje permite qualidade de vida aos pacientes.
“Hoje o tratamento é simples, com um ou dois comprimidos por dia, praticamente sem efeitos colaterais. A pessoa faz o tratamento, não transmite o vírus e leva uma vida normal. A realidade é completamente diferente do que era nas décadas de 80 e 90”, concluiu.
As ações de prevenção e orientação seguem sendo realizadas ao longo de todo o ano em Brusque, com foco na ampliação da testagem, na redução do preconceito e no diagnóstico precoce.




