Imagens gravadas por celulares durante abordagens policiais no último fim de semana voltaram a colocar em pauta a ausência de câmeras corporais na Polícia Militar de Santa Catarina. Os registros, divulgados por testemunhas nas redes sociais, apresentam divergências em relação às versões oficiais e levaram o Ministério Público de Santa Catarina a reforçar sua atuação sobre o tema.
O Ministério Público ingressou como parte na ação civil pública movida pela Defensoria Pública de Santa Catarina, que pede a retomada do uso obrigatório de câmeras corporais pelos policiais militares. Além disso, o órgão informou que prepara uma nova ação para exigir a utilização dos equipamentos em situações específicas, como entradas em residências sem mandado judicial, confrontos em via pública e ocorrências relacionadas à violência contra a mulher.
O programa de câmeras corporais no estado começou em agosto de 2019, com a compra de mais de 2,4 mil dispositivos, ao custo aproximado de R$ 3 milhões. Segundo dados da Defensoria Pública, até 2024 as gravações foram utilizadas como prova em 76% das decisões judiciais analisadas em processos envolvendo policiais. O uso dos equipamentos foi interrompido no fim de 2024, sob a justificativa de problemas técnicos.
Em 2025, a Justiça determinou que o Estado apresente estudos sobre os motivos da suspensão e sobre a possibilidade de retomada do programa, com prazo até março. O governo estadual informou que o tema está sob responsabilidade da Polícia Militar, que afirmou estar realizando análises internas.
Paralelamente, o Ministério Público abriu procedimentos para apurar duas abordagens ocorridas no fim de semana. Em um dos casos, registrado no município de Braço do Norte, vídeos mostram policiais abordando um homem após denúncia de tráfico de drogas e a contenção de uma mulher que filmava a ação. A Polícia Militar informou que irá instaurar sindicância para investigar a conduta dos agentes envolvidos.



