(VÍDEO) Recusa de moradores ainda dificulta trabalho de agentes de endemias

Na tarde desta quinta-feira (12), o programa Conexão 92 recebeu a diretora de Vigilância em Saúde de Brusque, Carol Maçaneiro. Entre os assuntos abordados, o principal foi a situação do terreno da antiga Telesc, na rua Paes Leme, no Centro, que foi alvo de denúncias por acúmulo de lixo e possível foco do mosquito da dengue.

Segundo Carol, a Vigilância já vinha acompanhando o local há algum tempo, mas a situação se agravou nas últimas semanas.

“Até dezembro do ano passado, o que a gente encontrava era basicamente um problema estético, fios acumulados e falta de organização. Nessa última vistoria, a situação era diferente: encontramos orelhão acumulando água, bastante lixo doméstico, marmitas, garrafas pet, copos e, o mais preocupante, larvas do mosquito já em fase de pupa”, explicou.

De acordo com a diretora, a presença da larva em estágio avançado motivou uma notificação mais rigorosa, com prazo de cinco dias para início da limpeza. A empresa responsável cumpriu a determinação e realizou a retirada do material. Parte dos resíduos foi encaminhada para São Paulo e outra parte para Balneário Camboriú, onde há empresas especializadas na destinação adequada.

A Vigilância também destacou que a dificuldade anterior estava relacionada à identificação dos responsáveis pelo imóvel, já que a área pertence à massa falida da Oi, que foi desmembrada após o processo de recuperação judicial. Com a nova empresa que assumiu parte da estrutura, a comunicação ficou mais acessível.

Outros pontos críticos no município
Carol afirmou que o caso do pátio da antiga Telesc não é isolado. O município já precisou judicializar cinco situações semelhantes no ano passado, envolvendo acúmulo de resíduos e risco sanitário.

“A gente evita ao máximo chegar na judicialização, porque quando isso acontece a responsabilidade de limpeza acaba recaindo também sobre o município. Mas temos locais que se tornaram verdadeiros lixões, inclusive áreas de recicladores que perderam o controle do material armazenado”, relatou.

Dengue: bairros seguem em alerta
A diretora também atualizou os dados da dengue no município. Embora Brusque esteja em uma situação considerada controlada no momento, há preocupação com o número de focos identificados.

As regiões da Azambuja e Primeiro de Maio seguem como áreas de maior atenção. Segundo Carol, as ovitrampas instaladas para monitoramento já registraram mais de 10 mil ovos de mosquito em duas leituras recentes.

“Hoje a gente tem uma grande quantidade de mosquito circulando. Se começar a aparecer caso positivo, a contaminação pode crescer rapidamente”, alertou.

Ela reforçou que o pico da doença historicamente acontece após o Carnaval, principalmente por conta do fluxo de pessoas que viajam para regiões endêmicas e retornam ao município.

Fumacê e possível aquisição de equipamento próprio
Sobre o fumacê, Carol explicou que a presença do carro do Governo do Estado indica situação de alto número de casos concentrados. A intenção do município é adquirir equipamento próprio para ter mais autonomia na aplicação do inseticida, sem depender exclusivamente da agenda estadual.

“Não seria necessariamente um veículo específico, mas o equipamento pulverizador. Com isso, a gente consegue agir antes de ter uma concentração muito grande de casos”, afirmou.

Baixa adesão à vacina
Outro ponto preocupante é a baixa adesão à vacina contra a dengue. O público-alvo atual é de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos. De um total de pouco mais de 8 mil pessoas nessa faixa etária, apenas 21% completaram as duas doses.

“Mesmo com campanha nas escolas, muitos pais ainda não autorizam a vacinação. A gente espera ampliar a faixa etária nos próximos meses, mas isso depende do envio de novas doses pelo Ministério da Saúde”, explicou.

Prevenção continua sendo a principal arma
Carol reforçou que, enquanto a vacinação não atinge maior cobertura, a principal forma de prevenção continua sendo a eliminação de água parada, uso de telas nas residências e aplicação de repelente.

“O repelente ainda é mais barato do que uma internação e muito mais seguro do que correr risco de complicação”, destacou.

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