Falar sobre morte ainda é um tabu para muita gente, mas por trás desse momento delicado existe um trabalho técnico e, acima de tudo, humano. A tanatopraxia e a necromaquiagem foram os temas abordados na tarde desta segunda-feira (23), durante o programa Conexão 92, da Cidade FM, em uma conversa franca com a tanatopraxista Rosy Pereira.
Durante a entrevista, Rosy explicou de forma clara a diferença entre as áreas que muitas vezes são confundidas. Ela contou que também é formada como auxiliar de necropsia, mas destacou que as funções são distintas. “A tanatopraxia, gente, prepara o corpo para o funeral.” Já o auxiliar de necropsia atua ao lado do médico legista na investigação das causas da morte. Segundo ela, são etapas diferentes dentro de um mesmo contexto, cada uma com sua responsabilidade.
Ao detalhar o procedimento da tanatopraxia, Rosy explicou que se trata de uma técnica que substitui os fluidos naturais por produtos específicos que ajudam na preservação do corpo, permitindo velórios mais longos e evitando odores ou extravasamentos. Ela lembrou que, no Brasil, a prática começou a se popularizar na década de 1990 e trouxe mais tranquilidade às famílias. Quando bem realizada, pode garantir até 72 horas de preservação adequada.
A profissional também falou sobre a necromaquiagem, que entra em cena especialmente em casos de acidentes ou situações que causam deformações. Nesses casos, o objetivo é reconstruir a aparência o mais próximo possível da imagem que a família guarda na memória. Para ela, o cuidado vai além da técnica. “Quando se perde, se perde todo mundo”, afirmou ao comentar sobre a importância do preparo psicológico e do respeito no trato com cada pessoa atendida, independentemente das circunstâncias da morte.
Rosy ainda destacou que o trabalho exige preparo emocional e responsabilidade, principalmente quando envolve investigações ou situações mais complexas. Segundo ela, é uma profissão que não permite erros e que deve ser exercida com ética, respeito e dedicação.
Ao final da conversa no Conexão 92, a tanatopraxista reforçou que cada procedimento é feito pensando na família que está do lado de fora, enfrentando a dor da despedida. Para ela, mais do que técnica, é uma missão que envolve amor, fé e compromisso em entregar o ente querido da forma mais digna possível.



