Em 1989, um jovem de 17 anos deixava a cidade de Luís Alves, no interior de Santa Catarina, com um objetivo simples e ao mesmo tempo desafiador: tentar a vida em Brusque. O que começou como uma mudança em busca de trabalho se transformou no início de uma trajetória profissional marcada por aprendizado, esforço, oportunidade e sucesso.
Recém-chegado à cidade durante as férias escolares, enquanto concluía o então segundo grau, ele precisava encontrar um emprego para se sustentar. Foi nesse momento que conheceu o Sistema Nacional de Emprego (SINE) de Brusque, porta de entrada para a oportunidade que mudaria sua vida.
O jovem é Carlos Eduardo Luciani, hoje gerente de Moda das Lojas Havan. Na época, o SINE já funcionava como ponte entre empresas e trabalhadores. Entre as vagas disponíveis, uma chamou sua atenção: conferente de mercadorias em uma empresa que, anos depois, se tornaria uma das maiores redes varejistas do Brasil. Mesmo sem saber exatamente o que a função exigia, decidiu tentar.
Com coragem e disposição para aprender, apresentou-se na empresa e foi recebido para um período de experiência já no dia seguinte. Assim começou uma jornada profissional que ultrapassa três décadas. Carlos iniciou como conferente de tecidos, função que despertou seu interesse pelo setor. Com o passar do tempo, passou a auxiliar nas compras, observando tendências, preferências dos clientes e características dos produtos.
A dedicação rendeu novas oportunidades. Ao longo dos anos 1990, acompanhou a transformação do negócio, que deixou de atuar apenas com tecidos para se tornar uma loja de departamentos. Em 2000, assumiu o desafio de gerenciar a compra de roupas prontas em diferentes segmentos, função que exerce até hoje como gerente de categoria na área de confecção.
“Tudo começou com uma vaga quando eu tinha 17 anos, batendo na porta do SINE. Hoje são 36 anos na empresa. Sou muito feliz aqui e só tenho gratidão”, resume Carlos.
Ponte entre empresas e trabalhadores
De acordo com o diretor do SINE Brusque, Rodrigo Gesser, o órgão segue desempenhando papel fundamental na intermediação de mão de obra. Segundo ele, as empresas interessadas em divulgar vagas podem procurar o serviço de forma simples. “A empresa pode entrar em contato com a gente via WhatsApp ou ligando para o número do SINE. Encaminhamos um e-mail para que ela solicite um formulário, preenche os dados e devolve para fazermos o cadastro no sistema”, explica.
As vagas são atualizadas diariamente e divulgadas em listas para quem busca emprego. Em 2026, o SINE iniciou o ano com cerca de 160 oportunidades abertas e atualmente registra em torno de 165 vagas. “Isso é atualizado semanalmente: algumas vagas fecham e outras surgem”, destaca Gesser.
O perfil dos candidatos é bastante variado. Segundo o diretor, há oportunidades para diferentes públicos. “É bem diversificado. Temos desde jovens a partir dos 16 anos até pessoas da terceira idade que também buscam emprego pelo SINE”, afirma.
A procura pelo serviço é constante. “Normalmente conseguimos contabilizar cerca de 40 atendimentos por dia”, diz Gesser. Ao longo da semana, o número chega a aproximadamente 200 atendimentos, entre encaminhamentos para vagas e solicitações de seguro-desemprego.
Por questões relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a lista de vagas é divulgada em grupos de WhatsApp do SINE. “Os candidatos conseguem verificar o tipo de vaga, horário, localização e algumas informações iniciais. Dados como salário e nome da empresa são repassados apenas quando o candidato é encaminhado”, explica.
Para concorrer às oportunidades, é necessário comparecer presencialmente ao SINE com documento original com foto, como RG, CNH ou carteira de trabalho, física ou digital. Em casos em que a função exige experiência específica, é preciso comprová-la por meio de registro na carteira.
Mercado em transformação
Mesmo com mais de 160 vagas abertas, Gesser ressalta que esse número representa apenas parte do mercado de trabalho local. “Muitas empresas divulgam vagas diretamente nas redes sociais ou em outros canais. Então o que vemos aqui é apenas uma parte do mercado real”, observa.
Ainda assim, histórias como a de Carlos reforçam a importância do SINE como ponto de apoio, especialmente para quem está começando a vida profissional. Para ele, apesar do avanço das redes sociais, o contato presencial e a orientação oferecida pelo órgão continuam sendo diferenciais.
“Quando a pessoa termina de estudar e não sabe por onde começar, o SINE ajuda a encontrar um caminho. Hoje temos várias ferramentas, e o SINE com certeza é uma delas”, afirma.
Mais de três décadas depois daquela primeira visita em busca de emprego, a trajetória construída a partir de uma oportunidade demonstra como coragem, orientação e acesso ao mercado de trabalho podem transformar vidas.



