Natural de Belém do Pará, Mário Jorge Carneiro Santos, com 64 anos de idade, carrega no olhar a serenidade de quem venceu batalhas silenciosas. Sua trajetória, marcada por perdas, recomeços e muita determinação, hoje se confunde com a própria história de dedicação ao serviço público em Brusque.
Mas para sabermos o desfecho desta história, é preciso voltar ao começo de tudo. Ainda recém-nascido, Mário foi levado para o Rio de Janeiro. Anos depois, já adulto, enfrentou uma das maiores dores da vida: a perda da mãe, em 6 de fevereiro de 2012. Sem chão, decidiu retornar a Belém para morar com o pai. Porém, o que encontrou foi um ambiente difícil, marcado pelo alcoolismo e comportamentos abusivos. “Eu fiquei um ano com meu pai, mas não aceitava viver naquela situação. Eu precisava mudar minha história”, disse.
Sem perspectivas e sem ter para onde ir, Mário tomou uma decisão corajosa: foi até a rodoviária de Belém e embarcou rumo ao Sul do país. O destino inicial era o Rio Grande do Sul. No entanto, ao confundir a rota, chegou a Florianópolis, em 2013. A partir dali, iniciou uma caminhada literal e simbólica. Durante cerca de 15 dias, percorreu o trajeto até Brusque.
Cansado, sentou-se na praça próxima à Ponte Estaiada e perguntou a um senhor se na cidade havia um albergue. Recebeu orientação e ali começou um novo capítulo de sua vida. Mário morou por sete meses no albergue municipal. Foi nesse período que encontrou apoio. A psicóloga da instituição o incentivou a participar de um processo seletivo da prefeitura. Ele se inscreveu e foi aprovado em primeiro lugar para a função de serviços especiais. “Foi ali que eu entendi que minha vida estava mudando”, conta, emocionado.
Seu primeiro trabalho foi em escolas municipais. Depois, foi designado para o Horto Florestal, onde atuou por dois anos, aprendendo todos os processos. Em seguida, trabalhou por mais dois anos no cemitério municipal. Há três anos, exerce a função de roçador na Secretaria de Obras.
E é nessa função que encontrou propósito. “Ser um roçador é uma inspiração para mim. Meu coração se sente feliz”, afirma. “Sou cuidadoso com as pedras, gosto de ser responsável com os moradores e com os veículos que estão por perto. Eu me tornei um profissional”, afirmou.
Para Mário, o trabalho vai além do sustento: é dignidade, é reconstrução de identidade. Ele fala com convicção sobre o que aprendeu na própria caminhada. “Quando uma pessoa quer, ela consegue”, garantiu. “Não adianta ficar na rua, você tem que trabalhar para conquistar. Meu coração fala que, se você tiver força de vontade, você pode conquistar”, enfatizou.
Hoje, ao manusear a roçadeira e cuidar dos espaços públicos da cidade, Mário enxerga sua própria história sendo transformada. Cada praça limpa, cada área revitalizada, representa um passo de superação.
A trajetória de Mário é também o retrato do papel social da Secretaria de Obras: gerar oportunidades, valorizar pessoas e mostrar que o serviço público é, acima de tudo, feito por histórias humanas.
De Belém ao Rio, do Rio a Brusque, da rodoviária ao uniforme da Secretaria, Mário prova, todos os dias, que recomeçar é possível. E que o trabalho, quando feito com coração, transforma destinos.




