O Rádio Revista Cidade recebeu, na manhã desta quinta-feira (26), o secretário de Desenvolvimento Social de Brusque, Volnei Montibeller, para tratar de um tema que tem gerado debate e preocupação na comunidade: a situação das pessoas em situação de rua no município. A entrevista abordou desde casos recentes de abordagem agressiva até ações sociais, internações e o monitoramento de grupos que chegam à cidade.
O assunto ganhou força após o relato de uma mulher, no bairro Santa Rita, que teria sido agarrada por um homem em situação de rua ao sair de um supermercado no último domingo. Segundo a narrativa apresentada no programa, o suspeito tentou beijá-la à força. O secretário afirmou que não tinha conhecimento específico do caso, mas fez uma distinção entre moradores de rua e usuários de drogas que possuem residência fixa. “Morador de rua hoje nós temos 39 em Brusque. Sendo que 17, durante o período noturno, frequentam o abrigo. Então, efetivamente na rua hoje nós temos 22”, destacou.
Montibeller enfatizou que o número representa uma queda significativa em relação ao passado. “Já teve 131. Então 131 para 20 caiu 80%, 90%”, afirmou, atribuindo a redução ao trabalho de abordagem social e à reconstrução de vínculos familiares. Segundo ele, equipes da secretaria realizam buscas em outros estados para localizar parentes e promover o retorno dessas pessoas ao convívio familiar. “É fruto do nosso trabalho. De todas as abordagens que a gente faz. A gente não apenas aborda, como acompanha”, pontuou.
Outro ponto sensível levantado na entrevista foi a chegada de pessoas por rotas clandestinas. O secretário revelou que há indícios de um sistema organizado por trás do transporte desses grupos. “O problema não são as pessoas que chegam. O problema é o que elas vêm fazer. (...) O que tem nas sombras disso é caso de polícia”, declarou, afirmando que as forças de segurança já foram acionadas e que o tema envolve segurança pública.
Sobre o albergue municipal, Montibeller informou que atualmente 17 pessoas estão acolhidas, com um custo médio mensal de R$ 10 mil para manutenção da estrutura. O espaço oferece, além de abrigo noturno, acompanhamento psicológico, assistência social e atividades diárias. “Eles não vão só para comer e dormir. Todo dia tem alguma atividade. A gente faz currículo, encaminha para emprego, tenta reconstruir a vida”, explicou. Segundo ele, sete acolhidos já estão trabalhando e utilizam o albergue como suporte temporário.
Em relação às internações, o secretário detalhou que existem três modalidades: voluntária, involuntária e compulsória. Ele ressaltou que o sucesso do tratamento depende, principalmente, da vontade do usuário. “Se a pessoa não quer, não tem resultado. A gente pode levar num dia, na outra semana ele está fora de novo”, afirmou. A secretaria mantém parcerias com casas de recuperação em cidades como Itajaí e Gaspar, além de ações conjuntas com a saúde municipal.
Ao final, Montibeller reconheceu a complexidade do desafio. “Parece fácil para alguns, mas é bem mais difícil do que se imagina”, concluiu, reforçando que o município segue monitorando casos específicos, inclusive de pessoas com doenças graves que se recusam a tratamento, sempre em conjunto com a Secretaria de Saúde e as forças de segurança.




