O presidente do Sindilojas de Brusque, Fernando Walendowsky, participou na manhã desta sexta-feira (6) do programa Rádio Revista Cidade, para comentar o projeto que discute no Congresso Nacional o fim da escala de trabalho 6x1. O tema tem gerado debate entre trabalhadores, empresários e entidades representativas.
Durante a entrevista, Walendowsky destacou que a discussão sobre redução da jornada de trabalho é válida, mas precisa considerar os impactos econômicos para empresas e consumidores. “Essa redução da jornada é uma questão matemática. Não tem muito se você é contra ou a favor. Se você trabalhar menos, algum impacto isso vai ter. Alguém precisa pagar essa conta”, afirmou.
Segundo ele, a proposta em debate prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, o que representaria uma diminuição de cerca de 18,2% no tempo de trabalho. Para o setor do comércio, especialmente para pequenas empresas, isso poderia gerar aumento de custos operacionais. “A esmagadora maioria dos comércios é pequena, muitas vezes com dois ou três funcionários. O impacto vai ser muito maior para esses empresários”, explicou.
Walendowsky também ressaltou que o comércio possui características diferentes de outros setores da economia, como a indústria, já que depende diretamente do horário de funcionamento e do comportamento do consumidor. “O comércio é portas abertas. Quem determina o horário é o consumidor. Se as pessoas querem comprar no sábado à tarde ou no domingo, o comércio precisa estar aberto para atender”, disse.
Outro ponto levantado pelo presidente do Sindilojas foi a alta carga tributária sobre a folha de pagamento no Brasil. Ele defende que, caso haja redução da jornada, uma alternativa seria a desoneração de impostos para evitar aumento de custos para as empresas. “Hoje, para pagar um salário de R$ 10 mil, o empresário desembolsa quase R$ 16 mil. Essa diferença é muito grande”, destacou.
Walendowsky também alertou para possíveis impactos na competitividade das empresas brasileiras diante do mercado internacional e do crescimento do comércio eletrônico. “Se o custo de produção aumenta, o produto fica mais caro e a indústria nacional perde competitividade. Precisamos pensar no Brasil dentro do cenário internacional”, afirmou.
Durante a entrevista, o dirigente ainda comentou sobre a situação enfrentada por comerciantes da rua Primeiro de Maio, em Brusque, afetados por obras de infraestrutura na região. Segundo ele, alguns empresários relatam queda significativa no faturamento devido à dificuldade de acesso às lojas.
Para tentar amenizar os prejuízos, o Sindilojas e a CDL de Brusque irão lançar a promoção “1º de Maio da Sorte”, prevista para iniciar na próxima terça-feira (10). A campanha seguirá modelo semelhante às promoções de fim de ano do comércio local. “A cada R$ 50 em compras, o cliente recebe um cupom para concorrer a prêmios como iPhone, TV de 55 polegadas e cinco vales-compras de R$ 500”, explicou.
A promoção deve seguir até o mês de junho e tem como objetivo estimular o movimento nas lojas da região enquanto as obras continuam. Walendowsky também afirmou que o sindicato tem mantido diálogo com o poder público para acompanhar o andamento dos trabalhos e cobrar agilidade na conclusão da obra.




