A Câmara de Vereadores de Brusque rejeitou, na noite desta terça-feira (10), um requerimento que solicitava a entrega de comendas de mérito a entidades e instituições que realizam trabalho de combate à violência contra a mulher. A proposta era de autoria da vereadora Bete Eccel, do PT, que lamentou a decisão.
Segundo a parlamentar, a iniciativa tinha o objetivo de reconhecer o trabalho de mulheres que atuam na defesa de vítimas de violência. “A intenção, como eu falei ali na sessão, na tribuna, é de fato estar enaltecendo mulheres que têm essa preocupação com mulheres que sofrem violência”, afirmou.
Bete também comentou que acompanha a política há décadas e levantou dúvidas sobre as motivações da rejeição. “Eu estou nessa Câmara de Vereadores nesta gestão, mas já vivo no mundo da política há praticamente 40 anos da minha vida. E eu quero crer, se não estou enganada, que talvez tenha alguma coisa que está nas entrelinhas”, disse.
Ainda segundo ela, permanece o questionamento sobre a aceitação dos nomes indicados para as homenagens. “Nós temos vários nomes ali que a gente pensou, que está trazendo, e aí eu questiono: será que todos esses nomes são bem-vindos? Fica a interrogação”, completou.
O vereador Jean Daniel dos Santos Pirola, do Progressistas, puxou o coro de votos contrários ao requerimento e justificou que um dos nomes indicados entrava em conflito com posições que ele defende.
“Eu não tiro o mérito. O mérito é importante. Falar sobre a defesa dos direitos das mulheres e sobre a violência, que a gente sabe que o Brasil vem passando por uma situação terrível, cada vez maior e mais crescente, nós temos que defender”, afirmou.
Contudo, segundo o vereador, o problema estaria em uma das indicações presentes no pedido. “Dentro desse pedido existiam ideias que contrariam aquilo que nós defendemos, que era a entrega de uma das comendas para uma militante feminista, e é isso que está escrito no requerimento”, declarou.
Ele também mencionou divergências relacionadas ao debate sobre o aborto. “Iria contra aquilo que a gente já defendeu, já brigou, já lutou aqui na tribuna, que é contra o aborto. É uma das bandeiras do feminismo que nós vamos combater sempre que a gente puder”, disse.
O parlamentar completou afirmando que não poderia apoiar a homenagem nessas condições. “Nada contra a pessoa, nada contra a profissão, que nós respeitamos muito, mas não com essa titulação. Isso seria contrário àquilo que a gente defende aqui”, concluiu.
A homenageada a quem o vereador se referiu foi a enfermeira Diana da Paixão Goler, que atua na Rede Municipal de Saúde e integra um movimento coletivo chamado Mulheres Feministas de Combate à Violência contra a Mulher.
O requerimento recebeu apenas dois votos favoráveis e acabou reprovado pela maioria dos parlamentares presentes na sessão.



