Uma prática marcada pela crueldade ganhou novos desdobramentos após uma investigação detalhada da Polícia Civil de Santa Catarina revelar que, por trás dos episódios de Farra do Boi, existia uma estrutura organizada e articulada.
Ao todo, na última semana, 40 homens foram indiciados por maus-tratos a animais e associação criminosa. O trabalho, que durou mais de um ano, conseguiu ir além dos flagrantes e identificou toda a cadeia envolvida — desde quem organizava até quem financiava e transportava os animais.
As apurações mostraram que os envolvidos se organizavam em grupos, realizando “vaquinhas” para arrecadar dinheiro. Os valores eram usados não só para a compra dos bovinos, mas também para custear despesas como advogados e multas aplicadas anteriormente.
Outro ponto que chamou atenção foi a repetição de nomes em diferentes ocorrências, evidenciando uma divisão de tarefas e uma atuação coordenada. Ao todo, 22 episódios foram ligados ao grupo, inclusive casos que nem tinham registro formal.
O avanço da investigação só foi possível com o uso de tecnologia, análise de imagens e quebra de sigilos, o que permitiu identificar e individualizar a participação de cada envolvido.
A ação foi conduzida por meio da Delegacia de Proteção Animal (DPA), que destacou que a prática não se trata de cultura, mas de maus-tratos.
Agora, os indiciados passam a responder pelos crimes na Justiça. As penas podem chegar a quatro anos de prisão, além de multas que variam de R$ 10 mil para participantes até R$ 20 mil para organizadores.



