A Fundação Educacional de Brusque (FEBE), representada por sua presidente, professora Rosemari Glatz, visitou o Liceu Ruy Barbosa, em Varsóvia, capital da Polônia, nesta segunda-feira (16). O encontro ocorre na semana anterior ao intercâmbio que 15 estudantes do liceu realizarão no Colégio UNIFEBE. A viagem da reitora tem como objetivo reforçar as relações entre as duas instituições e expandir possibilidades para o futuro.
O grupo de estudantes poloneses esteve em uma escola de Santo André (SP) e será recebido pelo Colégio UNIFEBE na segunda-feira (23). Em setembro, será a vez de 16 alunos do Ensino Médio da escola brusquense se tornarem intercambistas do Liceu Ruy Barbosa.
Há cerca de três anos, o Liceu Ruy Barbosa e a UNIFEBE mantêm uma parceria visando atividades de intercâmbio estudantil, com a intermediação da Fundação José Walendowsky. A viagem é realizada por uma delegação de nove integrantes, representando a UNIFEBE, a Fundação José Walendowsky e a Prefeitura de Brusque.
Conforme a presidente da FEBE e reitora da UNIFEBE, professora Rosemari Glatz, Brusque reforça sua ligação histórica com a Polônia por meio do contato e da parceria com o Liceu Ruy Barbosa. O município é considerado o Berço da Imigração Polonesa no Brasil, com a chegada, em agosto de 1869, do primeiro grupo de polacos, originários de Stare Siołkowice, na Silésia (Śląsk).
O Liceu Ruy Barbosa
A história do Liceu Ruy Barbosa tem 118 anos e começou em 1908, como uma escola particular para meninas, fundada pela professora e pedagoga Helena Rzeszotarska. A instituição passou a ser pública quando foi nacionalizada em 1949, no início da Polônia socialista.
Em 1.º de setembro de 1959, já no endereço onde se encontra até hoje, a escola recebeu o nome do político, jurista, advogado e diplomata brasileiro Ruy Barbosa, em cerimônia com a presença de autoridades brasileiras. Conhecido como “Águia de Haia”, ele foi um defensor fundamental da independência da Polônia, reconhecida pelo Brasil em 1918.
Atualmente, o Liceu Ruy Barbosa possui cerca de 750 alunos matriculados em turmas equivalentes às do Ensino Médio e dos anos finais do Ensino Fundamental brasileiros. Um dos seus diferenciais é o atendimento especializado aos jovens com deficiência. É também a única escola polonesa que oferece o ensino da língua portuguesa. A instituição mantém estreita ligação com as entidades que promovem a relação entre a Polônia e o Brasil. Entre suas atividades pedagógicas, estão trabalhos, materiais e concursos voltados à cultura e à história brasileiras.
A visita da delegação brusquense ao Liceu foi guiada pelo vice-diretor Grzegorz Diłanian, pois o diretor, Piotr Cacko, acompanha os intercambistas poloneses rumo a Brusque.
Além da presidente e reitora Rosemari Glatz, integram a delegação brusquense na Polônia o presidente da Fundação José Walendowsky, Luis Antônio Loyola Walendowsky, acompanhado do pai, Ivan José, e dos irmãos João Paulo e Ivan Filho; o desembargador Carlos Civinski; o vice-prefeito Deco Battisti; o Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Valdir Walendowsky; o radialista Saulo Tavares; e o secretário da Fundação José Walendowsky, Nilton Jair Proença.
O grupo foi acompanhado pelo presidente da Sociedade Polaco-Brasileira de Varsóvia, Marek Makowski, e por sua esposa, Everly Giller, que leciona língua polonesa no Liceu.
Ruy Barbosa
Diplomata, político, jurista, advogado, escritor, filólogo, tradutor, orador e jornalista, Ruy Barbosa de Oliveira nasceu em 5 de novembro de 1849, em Salvador (BA). Foi o primeiro-ministro da Fazenda da República e senador pela Bahia e juiz do Tribunal Permanente de Justiça Internacional, órgão criado em 1921 pela extinta Liga das Nações.
Ruy Barbosa ficou conhecido, celebremente, como o Águia de Haia. Esse apelido foi dado a ele em junho de 1907, após sua participação na Conferência de Haia (Haag), na Holanda, atendendo ao convite do então ministro das Relações Exteriores, Barão do Rio Branco.
Para essa missão diplomática, o Barão do Rio Branco pretendia levar Joaquim Nabuco, que era embaixador nos Estados Unidos na época. Contudo, a imprensa pressionou para que Ruy Barbosa fosse o escolhido. Rio Branco sugeriu, então, que formassem uma dupla apelidada de “delegação das águias”. Era uma referência ao “ministério das águias”, o 21.º Gabinete Conservador de Pedro de Araújo Lima, o Marquês de Olinda. O nome “ministério das águias” foi ideia de Joaquim Nabuco, em referência à experiência dos ministros que o compuseram. Nabuco, no entanto, não aceitou o convite para a Conferência de Haia e Ruy Barbosa, após sua célebre atuação, passou à história como o “Águia de Haia”.
Quanto à Polônia, Ruy Barbosa defendeu abertamente a independência do país. Antes de 1918, a Polônia não possuía um Estado próprio. Seu território era dividido entre potências como a Alemanha, o Império Austro-Húngaro e o Império Russo. O Brasil esteve entre os primeiros países sul-americanos a reconhecer a independência polonesa.
Ruy Barbosa é o patrono do Liceu Ruy Barbosa, que também o considera um “grande amigo da Polônia”. A escola se orgulha de possuir, desde 2016, uma caneta de âmbar do acervo histórico do diplomata. O item também pertenceu ao político e escritor José Américo de Almeida, que o recebeu de presente para assinar contratos referentes aos trens da Central do Brasil.
Em 2015, a caneta foi colocada em leilão, no Rio de Janeiro, por descendentes de José Américo de Almeida, e foi arrematada pelo então embaixador brasileiro na Polônia, Alfredo Leoni. Considerado “amigo da escola”, ele a entregou ao Liceu Ruy Barbosa em setembro de 2016.



