Brusque tem registrado, nos últimos anos, um fluxo constante de pessoas que chegam à cidade em busca de trabalho, segurança e melhores condições de vida. Esse movimento, que envolve tanto brasileiros de outros estados quanto estrangeiros, tem impacto direto em áreas como moradia, saúde, documentação e inserção no mercado de trabalho. Diante dessa realidade, o município mantém um setor específico de acolhimento e orientação, ligado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Inovação.
O tema foi abordado na manhã desta segunda-feira (23), durante entrevista no programa Rádio Revista Cidade, da Cidade FM, com o chefe do setor de acolhimento ao imigrante de Brusque, Caio Eduardo Videira. Ele explicou que o trabalho da pasta está voltado principalmente à regularização documental e ao encaminhamento de pessoas para oportunidades de emprego e serviços públicos. Segundo Caio, o setor começou a atuar em 15 de janeiro do ano passado e agora entra no segundo ano de atividades.
Entre as ações em andamento, ele destacou o mutirão de regularização de documentos que será realizado entre os dias 6 e 17 de abril, com foco nas pessoas que vivem em Brusque, mas ainda não atualizaram registros importantes no município. De acordo com ele, esse processo é essencial para que a cidade tenha números mais próximos da realidade e consiga pleitear recursos de forma adequada. “A regularização do cartão do SUS é essencial, é essencial para benefício nosso próprio, nosso benefício, nosso daqui do nosso município de Ibruxquê, entende?”, afirmou.
Durante a entrevista, Caio também comentou sobre o perfil das pessoas que chegam à cidade. Segundo ele, a maior parte já vem com algum local para ficar, geralmente com parentes ou amigos, mas há casos em que o migrante desembarca sem qualquer estrutura. “Tá, aqui tem tudo isso, mas tu vai ficar onde? Tu vai dormir onde?”, disse, ao relatar uma das perguntas mais frequentes feitas a quem procura ajuda no setor. Ele observou ainda que Brusque segue sendo vista como uma cidade de oportunidades, mas que muitas vezes a expectativa de quem chega esbarra no alto custo da moradia, sobretudo para famílias maiores.
Outro ponto destacado foi a ligação direta entre acolhimento e empregabilidade. Conforme Caio, o município tem buscado fazer uma ponte entre quem chega e as empresas que estão contratando, especialmente para funções formais. Ele ressaltou que há parcerias para encaminhamento imediato de trabalhadores, inclusive imigrantes estrangeiros, desde que a documentação esteja em processo regular. “A pessoa não precisa nem procurar o trabalho, nós encaminhamos direto para a empresa”, declarou. Ao mesmo tempo, frisou que o setor não compactua com informalidade nem com situações irregulares envolvendo documentos.
Ao final, Caio reforçou que a intenção do trabalho é oferecer direção a quem chega para recomeçar a vida em Brusque, sem perder de vista a necessidade de organização e responsabilidade. “Meu trabalho é fazer Brusque o município mais acolhedor do país. Não é de Santa Catarina, é do país”, afirmou. A entrevista também abordou a atuação conjunta com forças de segurança, o crescimento da chegada de venezuelanos e haitianos e a importância de estruturar esse atendimento para que o município esteja preparado para acolher, orientar e integrar quem escolhe Brusque como novo lar.



