(VÍDEO) Audiência revela rotina intensa de famílias que convivem com diabetes

Durante a entrevista do Conexão 92, na tarde desta segunda-feira (23), o vereador Joubert Lungen falou sobre a audiência pública realizada na Câmara Municipal para discutir o diabetes tipo 1 e apresentar alternativas para melhorar o atendimento aos pacientes no município. 

Segundo o vereador, o tema ganhou força após relatos de famílias que convivem com a doença e enfrentam dificuldades no dia a dia, principalmente no acompanhamento de crianças.

“Quando chegou pra gente esse assunto do diabetes tipo 1, eu sinceramente não sabia como funcionava. Uma mãe contou que a rotina dela mudou da noite pro dia, e aquilo nos comoveu muito. A gente disse que não ia deixar esse assunto morrer e fomos atrás, propusemos a audiência pública e trouxemos esse debate pra cidade”, afirmou.

A audiência reuniu profissionais da saúde, autoridades e famílias, e teve como principal objetivo discutir a implantação de um sensor eletrônico que monitora a glicemia em tempo real, reduzindo riscos e complicações.

“Hoje o governo federal não distribui esse monitor eletrônico, e a gente sabe que não é uma brincadeira, é uma doença que mata. Muitas pessoas não têm noção da gravidade, mas quando você vê os relatos das famílias, você entende o quanto isso impacta na vida delas”, destacou.

Para iniciar o projeto, foi destinada uma emenda parlamentar de R$ 400 mil, que será usada em um estudo com pacientes do município.

“Não adianta a gente buscar recurso e não saber aplicar. A ideia agora é pegar de 100 a 150 pessoas, fazer um estudo e provar pro governo estadual e federal que esse aparelho reduz internações, evita complicações e melhora a qualidade de vida. Esse valor é um pontapé inicial, é pra começar e mostrar resultado”, explicou.

O vereador também detalhou como funciona o equipamento, que tem custo aproximado de R$ 700 por mês por paciente.

“Esse aparelho fica fixado no corpo e monitora a glicemia 24 horas por dia. Ele manda tudo pro celular, com gráficos e alertas. Quando a glicose baixa ou sobe demais, a família já é avisada. Isso evita situações graves, porque se a glicemia cair muito, pode levar a um coma e até ser irreversível. Então é uma tecnologia que salva vidas”, disse.

Durante a audiência, os relatos das famílias chamaram atenção pela rotina intensa de cuidados.

“Teve um caso de uma criança que a mãe acorda às duas, às quatro da manhã pra fazer teste. Depois a família se reveza ao longo do dia. É um cuidado 24 horas, todos os dias da vida, porque não tem cura. Isso mexe com toda a estrutura da família”, relatou.

Joubert destacou ainda que o objetivo principal é ampliar o acesso ao equipamento e sensibilizar os governos para investir na prevenção.

“A gente sabe que hoje não dá pra atender todo mundo, porque o custo é alto, mas a ideia é provar que prevenir é mais barato do que remediar. O diabetes mal controlado gera amputação, cegueira, internação. Olha o custo disso pra saúde pública. Então esse estudo pode abrir portas pra um investimento maior no futuro”, afirmou.

Atualmente, cerca de 470 pessoas estão cadastradas com diabetes tipo 1 no sistema público de saúde do município, número que pode ser ainda maior considerando pacientes fora do SUS.

“Esse é um tema que não tem partido político. É saúde pública. O que a gente quer é melhorar a vida dessas pessoas e dar mais dignidade pra quem convive com essa doença. Se a gente conseguir avançar, vai ser um grande passo pra muita gente”, concluiu o vereador.