Na tarde desta quinta-feira (2), o programa Conexão 92 recebeu como convidadas Eli Maria Menegasso, coordenadora de saúde mental, e Lilian Gisele Pereira do Nascimento, assistente social da equipe de atendimento a crianças com autismo, para falar sobre o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e os serviços oferecidos no município.
Durante a entrevista, as profissionais destacaram a recente inauguração da sede própria do Centro de Reabilitação em Saúde Infantil e Transtorno do Espectro Autista (CRESI-TEA), que passou a concentrar os atendimentos especializados para crianças de 3 a 11 anos.
Segundo Eli, o serviço já registra alta procura. “Hoje a gente tem 98 crianças em atendimento, sendo 56 já com diagnóstico e em tratamento, e outras 42 ainda em investigação. É um serviço especializado, então precisa do encaminhamento pelas unidades básicas de saúde, mas a demanda é grande e crescente”, explicou.
Lilian também ressaltou que o aumento da busca está ligado a um maior acesso à informação, embora ainda existam desafios. “Infelizmente o preconceito ainda é muito presente, até dentro da própria família. Muitas vezes a criança é vista como desobediente ou preguiçosa, quando na verdade precisa de acompanhamento e compreensão”, afirmou.
As profissionais destacaram que o autismo não é uma doença, mas uma condição que exige cuidados específicos e acompanhamento contínuo. “Quando falamos em espectro, significa que cada pessoa é única, com características e necessidades diferentes. Por isso o tratamento é individualizado, com plano terapêutico específico para cada criança”, completou Eli.
O atendimento no CRESI é realizado por uma equipe multiprofissional, que inclui neuropediatra, psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social e pedagogo. O processo começa com uma avaliação detalhada do histórico da criança. “A gente monta um verdadeiro quebra-cabeça de informações, com dados da família, da escola e da própria criança, para chegar ao diagnóstico mais preciso possível”, explicou Lilian.
Outro ponto abordado foi a importância do diagnóstico precoce. Atualmente, a maior incidência de diagnósticos ocorre entre crianças de 5 a 9 anos, mas os sinais podem aparecer ainda na primeira infância.
Elas também reforçaram o papel da conscientização. “Mais do que falar sobre o tema, é preciso respeito na prática. A pessoa com autismo tem potencial, tem habilidades e precisa ser incluída na sociedade. O maior desafio ainda é combater o preconceito”, destacou Lilian.
O serviço funciona mediante encaminhamento via unidades básicas de saúde, e também conta com parceria com outras instituições para casos de maior complexidade. As profissionais ainda reforçaram que o espaço está aberto para visitas e orientação das famílias.



