O crime de receptação envolvendo fios de cobre e semelhantes é lamentavelmente comum, seja no território nacional, estadual ou municipal, mas deve ser combatido com o rigor da lei como qualquer outro delito.
Os destinatários desses materiais são, muitas vezes, proprietários de ferros-velhos, dos quais podem acabar virando vítimas de algo que talvez nem saibam que estão cometendo. Portanto, a 17ª Delegacia Regional de Brusque realizou uma reunião com os representantes do setor na última terça-feira (8), para orientar e mostrar medidas de prevenção à receptação. E foi este o assunto que a bancada do Rádio Revista Cidade debateu na manhã de sexta-feira (10), junto ao delegado titular, Fernando de Faveri.
A iniciativa teve um porquê. Segundo De Faveri, houve registros que indicavam o furto de fios em residências que passavam por reformas. “A obra, quando ela é inicial, não há câmeras de segurança, e as vítimas foram surpreendidas com toda a fiação do imóvel subtraída”.
A ideia veio à tona por meio da dificuldade encontrada em apurar a autoria do crime e entender como funciona a sua cadeia econômica. Não há envolvimento preliminar de nenhum dos participantes da reunião, conforme dito por Fernando. Ainda, o delegado comentou que houve um “comparecimento maciço” de todos eles. Ele exemplificou que a medida que uma das empresas tomará será a do cadastramento por CNPJ, a fim de evitar a recepção desses materiais por pessoas físicas. “São algumas mudanças de protocolo que vão ser bem saudáveis. E eu acredito que, de curto a médio prazo, haja um avanço nesse sentido”.
O delegado pontuou que é importante que não se criminalize o setor. “Por óbvio que você vai acabar tendo equívocos, erros e receptações criminosas, mas essa não é a regra, e há a necessidade de ter essa cautela para não criminalizar o setor todo”.
Outro objeto que também vira alvo dos criminosos é o celular, seja para furto ou roubo. De acordo com o agente, “esse é o perfil do nosso município”, onde essas ocorrências geralmente são registradas à noite, em locais ermos, e têm como principais vítimas as mulheres. Questionado se Brusque está chegando próximo aos grandes centros catarinenses em relação ao delito, Fernando foi preciso: “Muito distante ainda.” O delegado comparou a situação da cidade com a de São Paulo, onde não é possível sequer utilizar o aparelho dentro de um táxi. “Se a gente for no centro de Brusque agora, tá quase todo mundo mexendo no celular, caminhando, e não estão sendo vítimas.”
Lei
Ser informado sobre como os envolvidos com esse tipo de crime podem receber uma punição branda incomoda muita gente. Em certos casos, é possível que existam reincidentes na prática. Paralelamente a isso, Fernando comentou que delitos patrimoniais sem o uso de arma de fogo geralmente têm pena baixa. “Como também o indivíduo dificilmente fica preso durante o processo, então acaba saindo na audiência de custódia, que ocorre em 24 horas”.
Segundo o delegado, tais casos passam sensação de impunidade, o que precisa de uma discussão mais complexa, tanto quanto ao receptador quanto ao autor do furto, trazendo exemplos como a perda do alvará e maiores penas a ambos.



