Na tarde desta sexta-feira (10), o programa Conexão 92 recebeu Tânia Poppermayer, coordenadora do SINSEB, para falar sobre o encerramento da negociação coletiva salarial dos servidores públicos municipais, concluída na quinta-feira (9) após assembleia da categoria.
Segundo Tânia, o processo foi longo e complexo, envolvendo uma pauta extensa com 62 cláusulas. Apesar de parte das demandas ter sido atendida, o resultado final ficou abaixo do esperado, principalmente nas questões econômicas.
“Não foi fácil essa negociação. A data-base é março e só conseguimos fechar agora em abril. Avançamos em várias cláusulas, mas nas econômicas não foi aquilo que se buscava”, afirmou.
De acordo com a coordenadora, o reajuste concedido garantiu a reposição da inflação, mas o ganho real ficou em apenas 0,64%, o que gerou insatisfação entre os servidores.
“A inflação é obrigatória, mas 3,36% não corresponde à realidade. Basta ir ao mercado para ver que os preços subiram muito mais. O ganho real ficou muito abaixo do esperado”, destacou.
Outro ponto criticado foi a ausência do prefeito nas negociações. Tânia ressaltou que a participação do chefe do Executivo poderia ter agilizado e até melhorado o resultado.
“O prefeito não sentou à mesa em nenhuma reunião. A palavra final é dele, então a presença faria diferença nas negociações”, disse.
A assembleia que definiu o acordo foi marcada por divisão entre os servidores, com aprovação por margem apertada.
“Foi uma votação bem apertada, com diferença de 25 votos. Houve discussão sobre estado de greve, mas no fim a proposta foi aceita”, explicou.
Entre os avanços, Tânia citou cláusulas específicas por categoria que terão desdobramentos ao longo do ano, como reclassificações e ajustes que ainda dependem de prazos e aprovação legislativa.
Ela também comparou a negociação com municípios vizinhos, destacando que, em alguns casos, os resultados foram mais positivos.
“O município tem condições de oferecer mais. A justificativa foi a prioridade em investimentos e obras, mas entendemos que poderia ter sido melhor para os servidores”, afirmou.
Agora, o acordo segue para formalização e envio à Câmara de Vereadores, onde será votado. Após aprovação, os reajustes serão aplicados na folha de pagamento, com efeito retroativo à data-base de março.
“Agora é oficializar o resultado e encaminhar o projeto. A expectativa é que seja aprovado em regime de urgência para garantir o pagamento já na folha de abril”, concluiu.



