A oposição criticou, duramente, o envio de diversos projetos em caráter de urgência pela Prefeitura de Brusque, colocados na ordem do dia durante a sessão desta quinta-feira, 16, da Câmara Municipal pela mesa diretora do Legislativo. Um dos textos trata da criação de 16 cargos comissionados na estrutura administrativa do Poder Executivo.
O vereador Rick Zanata, do Partido Novo, afirmou que a tramitação em regime de urgência prejudica a análise criteriosa das propostas por parte dos parlamentares. "Os projetos só foram aprovados porque eram relacionados aos profissionais da educação”, disse, ressaltando que a categoria não poderia ser prejudicada pelo.que chamou de "desorganização do Poder Executivo”.
Apesar do voto favorável em duas matérias, Zanata elevou o tom contra a condução dos trabalhos. Ele classificou a situação como “uma sacanagem com os vereadores”, destacando que o projeto chegou às 17h e foi colocado para discutir e votar no mesmo horário. Para o parlamentar, a prática fere o princípio da transparência e o devido processo legislativo.
O vereador também afirmou que já houve diálogo com a presidência da Câmara e com o Executivo municipal. “A gente quer fazer a coisa certa, entender o projeto e votar de maneira contundente, mas do jeito que está fica difícil trabalhar”, declarou, ao apontar falta de organização tanto do Executivo quanto da mesa diretora. Crítica, inclusive, ao presidente da Casa, Jean Dalmolin (REP).
A crítica mais incisiva foi direcionada ao projeto que cria 16 cargos comissionados. A proposta foi aprovada pela maioria, apesar dos votos contrários de Zanata, Felipe Hort (Novo) e Bete Eccel (PT).
“É um projeto que cria mais 16 cargos para a população pagar, e foi feito de forma tão rápida que a gente fica até sem entender”, disse.
Zanatta ainda comparou a agilidade na criação de cargos com a demora em demandas da população. “Quando é para aumentar a estrutura da máquina pública, é rápido. Agora, para resolver problemas da cidade, demora anos”, afirmou, citando como exemplo uma obra de tubulação que teria levado dois anos para ser executada.
Por outro lado, o líder do governo na Câmara, vereador Paulinho Sestrem (PL), minimizou as críticas e defendeu a criação dos cargos, classificando a medida como “nada demais”. Segundo ele, as novas funções vão reforçar o atendimento à população em áreas como transporte coletivo, saneamento básico e Secretaria de Obras.
Sestrem argumentou que os cargos atendem ao crescimento da estrutura municipal. “Foram criados em função da demanda e do crescimento da Prefeitura, sendo alocados onde haverá trabalho diferenciado”, explicou. Ele também destacou que a atual gestão reduziu o índice da folha de pagamento, abrindo margem para novas contratações.
O vereador ainda reforçou que a aprovação ocorreu de forma legítima. “O plenário é soberano, teve maioria dos vereadores aprovando. Não é nada demais do que aconteceu aqui”, concluiu, ressaltando que o papel da oposição é questionar, mas que a decisão final coube ao conjunto dos parlamentares.



