O Núcleo de Empresas Contábeis da Associação Empresarial de Brusque, Guabiruba e Botuverá (ACIBr) realizou entre os dias 15 e 18 de abril, uma missão técnica ao Paraguai. Vinte escritórios de contabilidade nucleados participaram da viagem, que teve como objetivo compreender, na prática, os movimentos de migração empresarial que estão acontecendo ao país vizinho.
"Avaliamos as oportunidades, os riscos e a viabilidade de internacionalização dos negócios brasileiros no modelo paraguaio, visto que nas redes sociais existe uma grande propaganda sobre as facilidades na migração, principalmente em relação aos benefícios fiscais, e isso despertou em nós, contadores, o interesse de ir conhecer essa realidade pessoalmente", destaca a coordenadora do Núcleo, Cristina Zuqui de Souza.
A missão técnica contou com o auxílio de Jassir Cassol, consultor especializado em migração para o Paraguai e credenciado ao Sebrae. "Ele possui muita experiência e uma grande rede de relacionamento de profissionais e empresários que já migraram para o Paraguai e hoje prestam serviços lá. Isso nos abriu muitas portas", observa a coordenadora.
A programação
A programação do Núcleo iniciou em Ciudad del Este, segunda maior cidade do Paraguai, com cerca de 325 mil habitantes. Lá, o grupo participou de uma palestra com o proprietário da empresa Bella & Co, fábrica de cortinas de Blumenau, que conta com operações no Paraguai há 18 anos, a Cortinerias del Paraguay SA. "A empresa está funcionando normalmente no Paraguai. Tivemos a oportunidade de conversar com o proprietário e também visitar a estrutura da empresa, vendo de perto como ela funciona no Paraguai e também entendemos como foi a experiência de negócio que levou a fábrica a se estabelecer no país e manter essa relação há 18 anos".
Os nucleados também visitaram o Parque Industrial Paraná, na cidade de Hernandarias, próximo a Ciudad del Este. O complexo industrial foi fundado por um empresário brasileiro, investidor da área imobiliária. No Paraguai, ele constrói galpões e aluga para empresas que estão migrando para o país. "Pudemos ver de perto duas empresas que estão fazendo a migração para esse parque industrial. Foi um momento muito rico de informações e muito interessante acompanhar esse processo".
Por fim, o Núcleo de Empresas Contábeis visitou a empresa Lupo, que estabeleceu operações no Paraguai há um ano. Os nucleados acompanharam o processo produtivo da centenária fábrica de meias brasileiras no país vizinho e compreenderam o que levou a empresa a migrar parte de sua operação. "Desmistificamos todo esse cenário em que se fala que a Lupo migrou toda a operação dela do Brasil para o Paraguai. Isso não é verdade. A empresa migrou apenas 4% do processo produtivo, sendo que apenas três produtos estão sendo fabricados no Paraguai. O restante da produção da Lupo continua funcionando a todo vapor no Brasil e a empresa não tem intenção de finalizar as operações dela aqui".
A coordenadora do Núcleo destaca que a Lupo é mais uma das empresas brasileiras que estão aproveitando os benefícios da Lei de Maquila, em que as empresas têm seus impostos sobre importação da matéria-prima e componentes zerados e pagam uma alíquota de apenas 1% sobre o valor agregado aos produtos que mandam a outros países. Entretanto, ela ressalta que nem todas as organizações podem se beneficiar da legislação paraguaia.
"Podemos dizer que existem benefícios fiscais, existem oportunidades, mas os desafios também são grandes. Entendemos que esse processo de migração não é para qualquer empresa. Depende muito do nicho de atividade, do ramo de negócios, da carteira de clientes. Então, tem que ser tudo muito bem estudado e planejado, para que a empresa não se surpreenda com as dificuldades".



