Na tarde desta quinta-feira (30), o programa Conexão 92 recebeu a atriz, escritora e jornalista Lieza Neves, responsável pelo projeto “Memória em Vozes e Imagens”, que vai levar exposição e apresentações teatrais à Fundação Cultural de Brusque a partir do dia 6 de maio.
Durante a entrevista, Lieza explicou que o projeto surgiu a partir de uma pesquisa iniciada ainda em 2020, com foco no patrimônio imaterial da região, reunindo histórias, expressões e costumes que fazem parte da identidade local.
“Esse projeto é muito especial pra gente, porque ele começou ainda na pandemia, quando tivemos que adaptar tudo para o formato à distância. Naquele momento, conseguimos reunir um material muito rico sobre vocabulário da região, como palavras, expressões, ditados e cantigas. Criamos um site com esse conteúdo justamente para preservar isso, porque o patrimônio imaterial se perde muito fácil quando as histórias deixam de ser contadas”, destacou.
A partir desse trabalho inicial, o projeto evoluiu e passou a incluir entrevistas com moradores mais antigos, dando origem ao espetáculo teatral apresentado atualmente.
“Em 2023 conseguimos realizar entrevistas presenciais com idosos e ouvir essas histórias. E o mais interessante é que o texto da peça nasce dessas falas reais. A gente não criou personagens fictícios, são relatos de pessoas que viveram essas experiências. Mantivemos até a forma como elas falam, porque isso também faz parte da memória da cidade”, explicou.
Além da peça, o projeto também conta com uma exposição fotográfica com imagens do acervo de Érico Zendron, que registrou por décadas o cotidiano da cidade.
“A curadoria foi pensada para mostrar um outro olhar. Em vez de focar só em fotos mais conhecidas, buscamos imagens do dia a dia, de pessoas comuns, momentos simples. Muitas dessas fotos têm alguém olhando para a câmera, o que cria uma conexão muito interessante, como se aquela pessoa estivesse dialogando com a gente hoje”, comentou.
A abertura oficial acontece no dia 6 de maio, às 19h, com apresentação da peça e abertura da exposição. Ao longo do mês, outras apresentações serão realizadas, incluindo ações em parceria com o CRAS para ampliar o acesso da população.
“A ideia é justamente levar cultura para mais pessoas. Por isso, além das apresentações abertas, também firmamos parceria com os CRAS, que vão levar grupos para assistir à peça. E a exposição fica por mais tempo, para que escolas e demais interessados possam visitar com calma”, finalizou.
A exposição segue aberta ao público até o dia 26 de junho, na Fundação Cultural, com entrada gratuita. A programação completa pode ser conferida nas redes sociais do projeto “Vozes e Memória” e no site oficial.



