O coordenador da Defesa Civil de Brusque, Edevilson Cugik, participou do Rádio Revista Cidade desta terça-feira (12), onde falou sobre o sistema de monitoramento climático e hidrológico do município, investimentos em prevenção, áreas de risco e além de obras para minimizar os impactos de enchentes e deslizamentos.
Segundo ele, atualmente Brusque conta com dez estações do município e outras cinco do Estado espalhadas pela região. Das estações municipais, nove estão instaladas em Brusque e uma em Botuverá. Já as estações estaduais estão distribuídas entre Brusque, Botuverá, Vidal Ramos e Presidente Nereu.
Cugik explicou que a Defesa Civil pretende ampliar a rede de monitoramento ainda neste ano. Uma nova estação já tem local definido no bairro São Pedro, próximo à estação elevatória de água do Samae. Outro ponto ainda está em estudo, com possibilidades nos bairros Primeiro de Maio, Águas Claras, Zantão e Santa Luzia.
O coordenador destacou que todas as estações possuem medição automática, mas que o acompanhamento manual nas réguas dos rios continua sendo realizado para conferência das informações.
“Sempre existe uma pequena diferença entre o sensor e a régua. Como a população acompanha muito pela régua, mantemos esse monitoramento manual para conferência”, explicou.
Além da medição do nível dos rios, parte das estações também monitora o volume de chuva. Das dez estações municipais, seis são hidrológicas, medindo chuva e nível do rio, enquanto quatro são exclusivamente pluviométricas.
Outro ponto abordado foi a atualização do sistema de monitoramento online da Defesa Civil. Segundo Cugik, um problema relacionado ao firewall impede atualmente a exibição correta das informações no site, mas a expectativa é de que a atualização seja concluída ainda neste mês ou no início do próximo.
“A ideia é que o site volte a mostrar as cotas dos rios, as estações e também as câmeras de monitoramento”, afirmou.
Durante a entrevista, o coordenador também comentou sobre os custos das estações de monitoramento. Modelos mais simples chegam a custar cerca de R$ 10 mil, enquanto equipamentos mais robustos, utilizados pelo Estado, podem ultrapassar R$ 120 mil.
Previsões climáticas exigem responsabilidade
Cugik também falou sobre os alertas climáticos e destacou a importância da responsabilidade na divulgação de previsões meteorológicas, principalmente em períodos de risco elevado.
Segundo ele, embora existam modelos indicando chuvas acima da média por conta do El Niño, é necessário cautela para evitar alarmismo desnecessário.
“Toda informação precisa ser passada com responsabilidade. Muitas vezes os modelos indicam chuva acima da média, mas isso não significa necessariamente um grande desastre”, ressaltou.
Ele lembrou ainda que a Defesa Civil de Brusque vem ampliando investimentos em estrutura e equipe técnica. Atualmente, o órgão conta com 19 profissionais, incluindo engenheiros civis, engenheiro florestal e assistente social.
Dragagem e assoreamento do Rio Itajaí-Mirim
Outro tema debatido foi a situação do Rio Itajaí-Mirim e a possibilidade de dragagem em alguns trechos.
Cugik afirmou que existem pontos críticos identificados, principalmente próximos a corredeiras e áreas com maior acúmulo de sedimentos, mas explicou que qualquer intervenção exige estudos técnicos detalhados para evitar impactos ambientais e riscos às margens do rio.
Segundo ele, a prefeitura já encaminhou documentação ao Estado para futuras ações de desassoreamento em alguns pontos da região central, Santa Terezinha e Cristalina.
O coordenador também explicou que o leito do rio possui profundidades variadas, com trechos que chegam a mais de cinco metros de profundidade em determinados pontos.
Monitoramento de encostas preocupa Defesa Civil
A Defesa Civil também mantém atenção especial em áreas de encosta consideradas de risco. Conforme Cugik, dos 199 setores mapeados no município, 165 apresentam risco relacionado a deslizamentos.
Algumas regiões recebem monitoramento mais intenso, principalmente em bairros como Bateas, São Pedro, Limeira, Primeiro de Maio, Santa Luzia e Zantão.
Segundo ele, todas as residências localizadas em setores de risco já foram notificadas pela Defesa Civil, e uma nova rodada de notificações deve ocorrer ainda neste ano.
“Estamos refinando o mapeamento para identificar quais obras podem reduzir os riscos em cada localidade”, explicou.
O coordenador também destacou obras de macrodrenagem e bacias de contenção já executadas ou em planejamento, como o chamado “piscinão” no bairro Poço Fundo, que já apresentou resultados positivos em eventos recentes de chuva intensa.




