Os casos de sífilis registrados em 2026 colocaram a Rede Municipal de Saúde de Brusque em alerta. Somente até 13 de maio, foram confirmados 62 casos de sífilis adquirida, 15 casos em gestantes e cinco casos de sífilis congênita, quando a doença é transmitida da mãe para o bebê durante a gestação. Entre os registros deste ano, também estão três abortos relacionados à infecção.
A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) causada por bactéria e transmitida principalmente por relações sexuais sem preservativo. Apesar de ter cura, a doença pode permanecer sem sintomas por longos períodos, o que contribui para a transmissão.
Os números acompanham um cenário de crescimento observado nos últimos anos. Desde 2021, o município soma 1.364 casos de sífilis adquirida, 244 casos em gestantes e 33 casos de sífilis congênita. No mesmo período, foram registrados 16 abortos relacionados à doença.
Em 2022, o município teve o maior número de casos de sífilis adquirida da série, com 299 confirmações. Já 2024 registrou o maior número de casos em gestantes, com 54 confirmações. Em 2023, foram contabilizados seis abortos relacionados à sífilis congênita, o maior número do período analisado.
A Secretaria de Saúde alerta que a doença tem sido registrada entre adolescentes, adultos, idosos, gestantes e recém-nascidos.
Os primeiros sinais podem incluir pequenas feridas sem dor nos órgãos genitais, boca ou ânus, além de manchas pelo corpo. Em muitos casos, porém, a infecção entra em fases silenciosas.
Sem diagnóstico e tratamento, a doença pode atingir órgãos como cérebro e coração, provocando complicações neurológicas, cardiovasculares, cegueira, surdez e outras sequelas permanentes.
Nos casos de transmissão durante a gestação, a sífilis pode provocar aborto espontâneo, parto prematuro, má-formações, deficiência intelectual, cegueira, surdez, complicações neurológicas e morte fetal ou neonatal.
Segundo a Secretaria de Saúde, muitos recém-nascidos expostos à doença precisam passar por internações, exames invasivos e acompanhamento prolongado devido à falta de diagnóstico ou tratamento adequado durante o pré-natal.
O teste rápido para sífilis é oferecido gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com resultado em até 30 minutos. As UBSs também disponibilizam preservativos gratuitamente para a população.
O tratamento é feito com penicilina benzatina e deve ser iniciado o mais rápido possível para interromper a transmissão e evitar agravamentos.
“O principal caminho para reduzir os casos é a prevenção e o diagnóstico precoce. A orientação é que a população realize a testagem regularmente, especialmente em casos de relações desprotegidas, e utilize preservativo em todas as relações sexuais. A sífilis tem cura, mas o tratamento precisa ser iniciado o quanto antes para evitar complicações e interromper a transmissão da doença”, finaliza a enfermeira da Vigilância em Saúde, Gisele Pruner Koguchi.




