Na tarde desta sexta-feira (22), o programa Conexão 92 recebeu o médico gastroenterologista José Cyro de Moura Gomides para falar sobre as causas, sintomas e tratamentos da doença celíaca. Durante a entrevista, o especialista explicou que a doença ainda é pouco compreendida pela população e até mesmo por parte dos profissionais da saúde.
Segundo o médico, a doença celíaca é uma condição autoimune crônica desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada, aveia e centeio. “É uma doença que não tem cura, mas tem tratamento”, destacou.
O gastroenterologista também alertou sobre a diferença entre doença celíaca, alergia ao trigo e sensibilidade ao glúten. “Não é assim: ‘comi pão e passei mal, então sou celíaco’. Existem outras situações que parecem doença celíaca e não são”, explicou.
Durante a entrevista, ele chamou atenção para os riscos da retirada do glúten sem acompanhamento médico. Conforme relatou, muitos pacientes iniciam dietas restritivas por conta própria e acabam prejudicando o diagnóstico correto da doença.
“Se você tira o glúten antes dos exames, os marcadores podem dar negativos. Depois, para confirmar a doença, o paciente precisa voltar a consumir glúten e sofrer tudo novamente”, afirmou.
Entre os sintomas mais comuns estão diarreia crônica, dores abdominais, gases, fadiga, anemia, aftas frequentes, enxaqueca, infertilidade e alterações no intestino. O especialista explicou ainda que alguns pacientes não apresentam sintomas aparentes e descobrem a doença apenas através de exames de rotina.
“O paciente pode ter deficiência de vitaminas, anemia, osteoporose e até alterações hepáticas sem imaginar que isso esteja ligado ao glúten”, comentou.
O médico também destacou que a doença celíaca pode trazer complicações graves quando não tratada corretamente. “Ela pode levar a lesões sérias e até a alguns tipos de câncer no intestino. Mas isso é totalmente prevenível com a dieta correta”, alertou.
Segundo o especialista, o diagnóstico é feito através de exames laboratoriais específicos e confirmado por endoscopia digestiva com biópsia. Ele reforçou ainda que a condição possui predisposição genética.
“A pessoa já nasce com essa predisposição genética. O gatilho vai ser o glúten”, explicou.
Sobre o tratamento, o gastroenterologista afirmou que a exclusão total do glúten da alimentação permite que o paciente tenha uma vida normal. “A melhora é absurda. O paciente passa a ter uma qualidade de vida espetacular”, disse.
O médico fez um alerta para que as pessoas não sigam orientações sem investigação adequada. “Se um profissional manda você tirar o glúten sem investigar corretamente, isso pode prejudicar muito o paciente”, concluiu.




