Após semanas de negociações consideradas difíceis entre sindicatos patronal e laboral, os trabalhadores da construção civil e do setor mobiliário de Brusque tiveram definido o reajuste salarial da categoria. O acordo coletivo foi fechado na última sexta-feira após três rodadas de negociação entre as partes.
Em entrevista ao Rádio Revista Cidade nesta terça-feira (26), o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brusque e Região (Sintricomb), Izaias Otaviano, afirmou que este foi um dos processos mais complicados dos últimos anos.
Segundo ele, fatores econômicos e debates nacionais, como a possível redução da jornada de trabalho, acabaram influenciando diretamente nas discussões salariais deste ano.
“O reajuste não foi o que os trabalhadores esperavam e também não foi aquilo que o sindicato buscava, mas foi o possível dentro da negociação”, afirmou.
O reajuste definido ficou em 5% para trabalhadores que recebem acima do piso da categoria, retroativo a 1º de maio de 2026. O percentual representa ganho real de aproximadamente 0,89% acima da inflação do período.
Novos pisos salariais
Com o acordo, os novos pisos da construção civil em Brusque e região passam a ser:
-Mestre de obras: R$ 3.370,50
-Profissionais: R$ 2.875,12
-Meio oficial: R$ 2.415,52
-Servente: R$ 2.269,47
Além dos salários, foram mantidos benefícios previstos na convenção coletiva, como prêmio frequência e subsídio para cônjuge.
Outro ponto mantido no acordo é a obrigatoriedade de seguro de vida para os trabalhadores da categoria, no valor mínimo de R$ 30 mil.
Negociação foi marcada por impasses
Durante a entrevista, Izaias destacou que as negociações deste ano foram mais demoradas em praticamente todas as categorias sindicais da região.
De acordo com ele, os sindicatos patronais iniciaram as conversas propondo apenas a reposição da inflação, o que gerou resistência por parte dos trabalhadores.
O presidente do Sintricomb também explicou que um dissídio coletivo poderia trazer riscos à categoria, incluindo a possibilidade de perda de cláusulas importantes da convenção coletiva.
“A convenção da construção civil de Brusque é considerada uma das melhores do Brasil. Por isso, o entendimento foi buscar um acordo sem colocar direitos em risco”, destacou.
Participação dos trabalhadores aumentou
Outro ponto ressaltado por Izaias foi o aumento da participação dos trabalhadores nas assembleias realizadas pelo sindicato neste ano.
Segundo ele, a categoria está mais atenta às negociações coletivas e compreendendo melhor a importância da atuação sindical nas definições salariais e nos direitos trabalhistas.
O acordo coletivo contempla trabalhadores de dez municípios da região ligados à construção civil e ao setor mobiliário.




