O Hospital Arquidiocesano Cônsul Carlos Renaux – Hospital Azambuja realizou pela primeira vez na instituição, uma intervenção endovascular em neurocirurgia para investigação e tratamento de alterações vasculares cerebrais. O procedimento foi feito na última quinta-feira, 28 de maio, no setor de Hemodinâmica e representa um avanço no atendimento de pacientes neurológicos graves em Brusque e região.
A técnica permite investigar, por meio de cateter, as artérias cerebrais de pacientes que apresentam hemorragias no cérebro, como nos casos de AVC hemorrágico. Até então, pacientes que precisavam deste tipo de investigação ou tratamento eram encaminhados para outros municípios, como Blumenau, mesmo quando estavam em estado grave, em recuperação recente de uma neurocirurgia ou sob monitorização intensiva.
De acordo com o neurocirurgião Dr. Osvaldo Quirino de Souza, responsável pelo procedimento, a realização da primeira arteriografia cerebral e da primeira intervenção endovascular em neurocirurgia no Hospital Azambuja representa uma conquista aguardada há muitos anos.
“Depois de tantos anos de luta e espera, conseguimos realizar o primeiro procedimento endovascular em neurocirurgia aqui na cidade de Brusque, no Hospital Azambuja. É, de fato, um grande avanço para a nossa instituição, para a nossa cidade e para a nossa região. Podemos dizer que é algo absolutamente inovador para nós e muito aguardado”, destaca.
Como funciona o procedimento
A intervenção consiste na introdução de um cateter por uma artéria, que segue até os vasos cerebrais. Com o uso de contraste e imagens em tempo real, a equipe médica consegue estudar a circulação do cérebro e identificar possíveis malformações vasculares, aneurismas ou outras alterações que possam ter provocado o sangramento.
Quando a lesão é identificada e apresenta condições técnicas para tratamento, pode ser realizada a embolização endovascular. Em casos de aneurisma cerebral, por exemplo, o médico pode utilizar pequenos dispositivos chamados coils, semelhantes a pequenas molas, que são colocados dentro do aneurisma para excluí-lo da circulação sanguínea e reduzir o risco de novo sangramento. Em determinadas situações, também pode haver indicação de outros recursos, como stents.
Segundo Dr. Osvaldo, a doença mais comum relacionada a esse tipo de sangramento é o aneurisma cerebral, que pode romper e provocar hemorragia subaracnóidea, uma condição grave e potencialmente fatal.
“Você descobre o aneurisma, que é como um pequeno saco formado dentro do cérebro, geralmente na bifurcação dos vasos. Com a colocação dos coils, é possível excluir esse aneurisma da circulação, diminuindo o risco de ressangramento e permitindo tratar as consequências da hemorragia com maior segurança”, explica.
Investimentos em alta complexidade
Segundo Dr. Osvaldo, o procedimento inédito simboliza o resultado de um processo contínuo de estruturação da instituição para ampliar os serviços de alta complexidade em Brusque.
“Este é mais um passo importante na consolidação do Hospital Azambuja como referência regional em alta complexidade. A realização de uma intervenção endovascular em neurocirurgia dentro da nossa Hemodinâmica mostra que os investimentos feitos nos últimos anos estão chegando ao paciente, na forma de diagnóstico, tratamento, segurança e cuidado mais perto de casa”, destaca.
O médico ressalta que a ampliação da estrutura hospitalar envolve equipamentos, qualificação de equipes, novos fluxos assistenciais e a busca permanente por recursos. Dr. Osvaldo enfatiza ainda que a mobilização da gestão, da comunidade, do empresariado e de lideranças políticas tem permitido ao hospital avançar em áreas antes restritas a grandes centros.
“Quando falamos em nova torre, novos centros cirúrgicos, ampliação de UTIs, modernização da Hemodinâmica e fortalecimento das equipes médicas, estamos falando de um projeto maior de hospital. Nada disso acontece de forma isolada. É resultado de planejamento, de muitas mãos e de uma visão de futuro para a saúde de Brusque e região”, afirma.
O diretor administrativo do Hospital Azambuja, Gilberto Bastiani, também destaca a importância das parcerias com o Governo do Estado, Governo Federal, parlamentares, empresariado, comunidade e instituições de ensino, como a Unifebe, por meio do curso de Medicina, que contribui para o fortalecimento da assistência, da formação e da presença de novos profissionais no ambiente hospitalar.
“Cada novo serviço implantado representa uma conquista coletiva. O mais importante é que o paciente, que antes precisava sair de Brusque para ter acesso a determinados procedimentos, passa a encontrar esse atendimento dentro do Hospital Azambuja, com estrutura, equipe e tecnologia adequadas”, complementa.



