Menos de seis meses após sua instalação, a comarca de Guabiruba, no Vale do Itajaí, viveu um momento histórico nesta segunda-feira, 1º de junho, ao realizar sua primeira sessão do Tribunal do Júri. Inaugurada em 18 de dezembro de 2025, a unidade sediou seu primeiro julgamento popular em um processo de tentativa de feminicídio e ameaça, praticadas no ano passado.
A sessão teve início às 8h40min, na sala do Tribunal do Júri da própria comarca, e foi presidida pela juíza Caroline Peressoni Porcher, titular da Vara Única da comarca de Guabiruba. Após a oitiva das testemunhas, o interrogatório do réu e os debates entre acusação e defesa – com réplica e tréplica –, a sessão foi concluída às 16h35min com a leitura da sentença. O Conselho de Sentença foi composto por sete jurados, todos moradores de Guabiruba, que exerceram pela primeira vez a função de julgar um crime doloso contra a vida na comarca.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça Lucas Carvalho Mattiola, que sustentou a condenação do réu pelos crimes de tentativa de feminicídio e ameaça praticados contra sua ex-companheira. A defesa, representada pelos advogados Gilvan Galm e Eurico Romão Galm, alegou insuficiência de provas e requereu a desclassificação da conduta para o crime de lesão corporal. Ao final da sessão, os jurados acolheram a tese acusatória.
Com a decisão do Conselho de Sentença, e após dosimetria da pena, o réu foi condenado ao cumprimento de 22 anos e 11 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além de dois meses e 10 dias de detenção, em regime inicial aberto. Também foi fixado o pagamento de R$ 20 mil a título de reparação pelos danos causados à vítima. Ao réu foi negado o direito de recorrer em liberdade. O processo tramita sob sigilo.




