O programa Conexão 92 desta terça-feira recebeu a médica cardiologista Flávia Galdeano e Lenara Ramos, mãe da jovem Cecília, para falar sobre a cardiopatia congênita, condição que afeta cerca de 30 mil crianças por ano no Brasil e que exige diagnóstico precoce para aumentar as chances de tratamento e sobrevivência.
Durante a entrevista, a cardiologista explicou que a cardiopatia congênita é qualquer alteração que ocorre na formação do coração ainda durante a gestação. Segundo ela, os casos podem variar desde problemas simples, que só serão descobertos na vida adulta, até situações extremamente graves e incompatíveis com a vida.
“Qualquer doença que acometa o coração durante o período intrauterino é considerada uma cardiopatia congênita. Existem casos muito simples, mas também existem patologias gravíssimas, que exigem tratamento imediato após o nascimento”, explicou.
A médica destacou a importância do acompanhamento pré-natal para identificar possíveis alterações ainda durante a gravidez. De acordo com ela, exames como o ultrassom morfológico e o ecocardiograma fetal permitem avaliar a estrutura cardíaca do bebê e planejar os cuidados necessários antes mesmo do nascimento.
“O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quando identificamos a cardiopatia durante a gestação, conseguimos organizar o local adequado para o parto e preparar toda a equipe que irá atender essa criança nos primeiros momentos de vida”, afirmou.
A história de Cecília foi um dos destaques da entrevista. Lenara contou que a filha foi diagnosticada com uma cardiopatia grave durante um exame morfológico realizado na gravidez. O diagnóstico apontou a Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo, uma condição considerada severa e que exigiu uma série de procedimentos logo após o nascimento.
“Eu não senti nada diferente durante a gravidez. Quando fiz o ultrassom morfológico, o médico percebeu uma alteração no coração dela. A partir dali fomos encaminhados para exames mais específicos e recebemos o diagnóstico. Sabíamos que as chances eram pequenas”, relembrou.
Após a confirmação da doença, a família foi encaminhada para tratamento especializado em São Paulo. Segundo Lenara, a preparação antecipada foi fundamental para garantir a sobrevivência da filha.
“Se a Cecília tivesse nascido em um local sem estrutura para receber uma criança com essa cardiopatia, ela não teria sobrevivido. O fato de já sabermos do problema permitiu que tudo fosse planejado antes do parto”, relatou.
Flávia explicou que muitas crianças com cardiopatias graves precisam de atendimento imediato após o nascimento e, em alguns casos, de cirurgia nas primeiras horas de vida.
“Existem crianças que precisam ser operadas logo após nascer. Por isso é tão importante que o diagnóstico seja feito ainda na gestação. Muitas vezes é mais fácil levar a mãe até o hospital especializado antes do parto do que transferir um recém-nascido em estado grave”, destacou.
Hoje, aos 11 anos, Cecília leva uma vida próxima da normalidade, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da infância. Lenara contou que a filha passou por três cirurgias cardíacas e enfrentou complicações durante o tratamento, incluindo um AVC quando tinha apenas cinco meses de vida.
“Ela ficou hemiplégica, perdeu movimentos, não conseguia engolir e precisou de um trabalho intenso com vários profissionais. Foram anos de acompanhamento com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e outros especialistas para que ela chegasse onde está hoje”, disse.
Mesmo diante dos desafios, a menina frequenta a escola, participa de aulas de dança e teatro e mantém uma rotina semelhante à de outras crianças da mesma idade.
A cardiologista ressaltou que a prática de atividades físicas, quando orientada por profissionais, faz parte do tratamento de muitos pacientes com cardiopatias.
“A maioria das pessoas que têm algum problema cardíaco pode e deve praticar exercícios físicos. O importante é que exista acompanhamento médico para definir qual atividade é mais adequada para cada caso”, explicou.
Durante a conversa, as convidadas também chamaram atenção para a importância da conscientização sobre a doença. O Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita é celebrado em 12 de junho e busca alertar famílias sobre a necessidade do pré-natal e da realização dos exames recomendados durante a gestação.
“A informação salva vidas. Quanto mais cedo a cardiopatia for descoberta, maiores são as chances de tratamento adequado e melhor qualidade de vida para essas crianças”, concluiu Flávia.




