Na tarde desta segunda-feira (15), o Conexão 92 recebeu a professora Ane Mossmann, que compartilhou sua experiência como uma mulher adulta diagnosticada com autismo e falou sobre os desafios, preconceitos e a importância da informação para ampliar a compreensão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Durante a entrevista, Ane contou que a descoberta aconteceu há cerca de três anos, após a realização de testes neurológicos motivados por questões de saúde, instabilidade emocional e dificuldades que impactavam tanto a vida profissional quanto o convívio familiar. Ela explicou que já atuava na área da educação especial e, ao trabalhar diretamente com alunos autistas, passou a identificar em si características semelhantes às observadas nas crianças e adolescentes que acompanhava.
A professora relatou que o diagnóstico trouxe um processo de aceitação e de reconstrução pessoal. Segundo ela, foi necessário compreender que muitas das frustrações vividas ao longo da vida tinham relação com o autismo, especialmente as dificuldades para criar vínculos sociais, se adaptar aos ambientes e corresponder às expectativas impostas pela sociedade.
“Eu tive que enterrar a mulher que eu queria ser. Eu era muito frustrada, tinha dificuldade de fazer amizades, não me encaixava nos relacionamentos e nos ambientes. Quando veio o diagnóstico, muitas coisas começaram a fazer sentido”, afirmou.
Ane também destacou que, apesar de o autismo ser frequentemente associado à infância, muitas pessoas chegam à vida adulta sem um diagnóstico, convivendo durante anos com dificuldades sem entender suas causas. Ela ressaltou que, mesmo sendo uma adulta funcional, ainda enfrenta desafios diários.
Outro ponto abordado foi o preconceito. A professora revelou ter ouvido de pessoas próximas que deveria evitar dizer publicamente que é autista, por medo de julgamentos. No entanto, ela decidiu transformar sua história em uma ferramenta de acolhimento e conscientização.
“Eu uso isso como estratégia com as crianças. Quando digo que também sou autista, consigo criar uma conexão imediata. Meu propósito é mostrar para essas famílias que uma pessoa autista pode ter uma vida funcional, mesmo com limitações”, explicou.
A professora ainda comentou sobre os estereótipos que cercam o transtorno e alertou que muitas pessoas acreditam que existe uma “aparência” para o autismo.
“Escuto muito que não tenho cara de autista, porque olho nos olhos e converso normalmente. Mas ninguém sabe o quanto precisei estudar, fazer cursos e desenvolver estratégias para aprender comportamentos sociais que, para outras pessoas, acontecem naturalmente”, relatou.
Ao final, Ane reforçou a importância da informação e do diálogo para combater o preconceito e promover uma sociedade mais inclusiva.
“Tem coisas que, para mim, não fazem sentido, mas eu preciso cumprir regras sociais. Por isso, onde eu vou, eu procuro ensinar e compartilhar conhecimento. A informação é a melhor forma de combater o preconceito”, concluiu.




