Na tarde desta quinta-feira (18), a empresária Gisele Aparecida Boos, proprietária da Versatil Embalagens, e o diretor do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Material Plástico, Químico, Farmacêutico e de Borracha de Brusque e Região (SintiPlastic), Ednaldo Pedro Antonio, falaram sobre o acordo firmado para a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial dos colaboradores da empresa.
A medida entrará em vigor no dia 1º de julho e coloca a empresa entre as pioneiras da região a adotar um modelo mais flexível de trabalho, em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1.
Pedro explicou que a redução da jornada é uma bandeira histórica do movimento sindical e que a parceria construída com a empresa ao longo dos anos foi fundamental para que o acordo fosse concretizado.
“A pauta da redução da jornada sem redução salarial já é uma bandeira antiga do movimento sindical e do SintiPlastic desde a sua fundação. A nossa relação com a empresa já vem de longa data e, a partir desse debate nacional sobre a jornada de trabalho, começamos a construir essa possibilidade. Entendemos que quem se antecipa nesse processo acaba saindo na frente, não como um custo, mas como um investimento para atrair, fidelizar e reter mão de obra, que hoje é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas empresas”, destacou.
Gisele também apresentou um pouco da história da Versatil Plásticos, empresa que atua há 18 anos no segmento de embalagens plásticas e atende clientes em Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
Segundo a empresária, a decisão foi resultado de planejamento e da necessidade de adaptar a rotina da empresa às novas demandas do mercado de trabalho.
“A Versatil funciona 24 horas por dia e conta atualmente com cerca de 38 colaboradores. Nós já vínhamos enfrentando dificuldades relacionadas à sobreposição de horários, retenção e captação de mão de obra. Além disso, percebemos que a qualidade de vida dos colaboradores precisava ser colocada em pauta. Assim como nós queremos ter mais tempo com a família, para o lazer e para descansar, entendemos que nossos colaboradores também merecem isso”, afirmou.
Ela explicou que a mudança exigiu organização interna e investimentos em automação para manter a produtividade.
“Isso envolve muito planejamento. É um trabalho que passa por todos os setores da empresa, desde o comercial até a logística. Fizemos adequações, investimos em automação e entendemos que uma pessoa mais descansada, motivada e feliz produz melhor. Hoje, a velocidade e a pressão do trabalho são muito maiores e ter dois dias inteiros para descansar faz toda a diferença”, ressaltou.
A repercussão da iniciativa foi imediata. Segundo Gisele, logo após a divulgação da novidade, a empresa recebeu dezenas de currículos.
“No dia seguinte ao anúncio, recebemos cerca de 80 currículos. A repercussão foi muito positiva e mostrou que esse tipo de iniciativa também se tornou um diferencial competitivo. Além de ajudar na retenção de profissionais, também fortalece a imagem da empresa e atrai novos trabalhadores”, destacou.
Pedro afirmou que, apesar da resistência ainda existente em parte do setor empresarial, a tendência é que esse movimento cresça nos próximos anos.
“Muitas empresas ainda têm receio de perder produtividade, mas os estudos mostram justamente o contrário. O trabalhador mais descansado fica mais motivado e produz melhor. A maioria da população apoia a redução da jornada e entendemos que essa mudança acontecerá naturalmente, seja por força de lei ou pela própria necessidade do mercado de trabalho”, concluiu.




