Na tarde desta segunda-feira (22), o Conexão 92 recebeu a neurocientista clínica e especialista em comportamento humano, Cynthia Padoin, para falar sobre o comportamento e o desenvolvimento dos jovens na sociedade atual. Ela abordou os desafios enfrentados pelas novas gerações, a influência da família na formação dos adolescentes e a necessidade de fortalecer os vínculos dentro de casa.
Segundo a especialista, é preciso olhar para os jovens com mais empatia e compreender que muitos dos comportamentos apresentados por eles são reflexos das experiências vividas ao longo da infância e da adolescência.
“Hoje a gente observa uma tendência muito grande de julgar os jovens pelas atitudes que eles apresentam, mas poucas pessoas procuram entender a origem desses comportamentos. Nenhum adolescente desenvolve determinadas reações do nada. Existe uma história, um contexto familiar, social e emocional por trás de cada atitude. Precisamos parar de apenas apontar erros e começar a compreender o que está acontecendo com eles”, afirmou.
Cynthia explicou que a participação da família é fundamental na construção emocional dos adolescentes e que a ausência de diálogo pode trazer consequências significativas ao longo da vida.
“A base de tudo começa dentro de casa. A forma como os pais conversam, acolhem, orientam e acompanham o crescimento dos filhos faz toda a diferença. Muitas vezes, os adultos acreditam que o jovem está desobedecendo ou enfrentando a família, quando, na verdade, ele está tentando demonstrar um sofrimento que não consegue colocar em palavras”, destacou.
Ela também chamou a atenção para a quantidade de estímulos aos quais os adolescentes estão expostos atualmente, principalmente por conta das redes sociais e do ambiente digital.
“Essa geração vive conectada o tempo todo, recebendo informações a cada segundo, comparando a própria vida com a dos outros e lidando com uma pressão enorme. Isso afeta diretamente a saúde emocional deles. O excesso de cobrança, a busca por aceitação e a necessidade de se encaixar em determinados padrões acabam gerando ansiedade, insegurança e diversos outros problemas”, explicou.
A especialista ressaltou que os pais e responsáveis precisam estar atentos aos sinais emitidos pelos jovens, mesmo aqueles que parecem pequenos no dia a dia.
“Muitas vezes o comportamento que incomoda a família não é o problema principal, mas apenas uma consequência. O adolescente pode estar tentando chamar atenção, pedir ajuda ou demonstrar que algo não está bem. Por isso, é importante que os adultos desenvolvam um olhar mais acolhedor e menos punitivo”, comentou.
Cynthia reforçou que o diálogo é uma das principais ferramentas para fortalecer os vínculos familiares e construir relações mais saudáveis.
“Os jovens precisam ser ouvidos de verdade. Não basta apenas perguntar como foi o dia e seguir a rotina. É necessário criar um ambiente seguro, onde eles sintam confiança para falar sobre medos, inseguranças, sonhos e dificuldades. Quando a família consegue construir esse espaço de acolhimento, o adolescente se desenvolve de uma forma muito mais saudável”, ressaltou.
Ela destacou ainda, que investir na saúde emocional dos jovens é uma responsabilidade coletiva e um passo importante para a construção de uma sociedade melhor.
“Os jovens são o futuro da nossa sociedade. Quanto mais a gente investir em escuta, acolhimento e orientação, mais preparados eles estarão para enfrentar os desafios da vida adulta. É um trabalho que começa dentro de casa, mas que precisa do envolvimento de toda a comunidade”, concluiu.




