A rotina de Valmor Bononome, de 70 anos, é cheia. Entre consultas médicas, compromissos e os cuidados com a esposa, ele ainda encontra tempo para trabalhar como marceneiro, cuidar da sua “horta” e manter a mente ocupada. Hoje ele diz viver com mais tranquilidade, mas nem sempre foi assim.
Há alguns anos, o álcool passou a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida. O que começou com um hábito, aparentemente controlado, se transformou em dependência e afetou sua saúde, sem bem-estar e a convivência com a família.
“Eu comecei a beber garapa. Só tomava uma para abrir o apetite às 11 horas. Depois comecei a tomar às 10, às 9. Quando batia a tremedeira, tomava às 8”, relembra.
O consumo aumentou gradativamente até chegar em um ponto de descontrole. Segundo Valmor, foi somente após uma internação hospitalar que ele percebeu a gravidade da sua situação. “A gente acha que tem razão. Aí aconteceu que eu tomei um monte, me levaram para o hospital e fui internado”, conta.
Foi durante esse período que surgiu a indicação para procurar atendimento no Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD). A decisão marcou o início de uma nova fase. “Eu fui bem recebido. Difícil ver alguém tratar tão bem. Fiz isso aqui igual vir para a aula. E eu não faltei um dia.”
No Caps AD, Valmor participou de grupos terapêuticos, atividades, orientações e atendimentos com uma equipe multiprofissional. Ele conta que ele pode aprender a compreender melhor a própria condição e a lidar com a situações que antes o levava a buscar refúgio na bebida.
Entre os ensinamentos que guarda até hoje está uma frase que repetiu durante todo o tratamento: “Um copo é demais, um caminhão é pouco.”
Ao refletir sobre o período em que o consumo se agravou, Valmor identifica momentos difíceis da vida familiar como um dos fatores que contribuíram para o problema. Preocupações e conflitos acabaram se tornando gatilhos para o uso excessivo de álcool.“Aí começou a machucar. E você vai procurar outro caminho e acaba procurando a bebida.”
A dependência também afetou a convivência dentro de casa. Hoje, porém, ele percebe diferenças importantes na forma como enfrenta os desafios do cotidiano. “Eu consigo encarar de cabeça fria, sem álcool. Antes não. Hoje eu penso antes de falar alguma coisa.”
Além do acompanhamento recebido no Caps AD, ele destaca que manter uma rotina ativa foi fundamental para o processo de recuperação.
A história de Valmor ganha ainda mais significado neste mês, marcado pelo Junho Branco, campanha de conscientização sobre a prevenção ao uso de drogas e a promoção da saúde mental. Em 26 de junho também é celebrado o Dia Internacional de Combate às Drogas, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), para enfatizar a importância da prevenção, do acolhimento e do acesso ao tratamento.
Para quem enfrenta problemas relacionados ao álcool ou outros vícios, o morador de Brusque deixa uma mensagem direta. “Se tivesse vindo antes, eu não teria chegado onde cheguei. Mas a todos que têm problema com álcool ou droga, eu digo para procurar ajuda. O Caps AD é o caminho.”
Hoje, ao olhar para trás, Valmor diz que a gratidão tomou o lugar da angústia que carregava durante o período de dependência. “Hoje sou feliz. Consigo viver sem preocupação. Tenho gratidão por eles todos.”
Como buscar ajuda
O CAPS AD de Brusque está localizado na Rua Riachuelo, nº 45, no Centro. O serviço atende pessoas que enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool, drogas e outras dependências, incluindo vício em apostas.
O acesso pode ser feito por encaminhamento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), da Policlínica ou do Pronto Atendimento, mas também é possível procurar diretamente a unidade. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (47) 2017-0480.




