Na manhã desta segunda-feira, (29), a equipe do Rádio Revista Cidade debateu o polêmico decreto publicado no dia 26 que estabelece horário especial de funcionamento da Prefeitura de Brusque durante o jogo do Brasil, também nesta segunda-feira. A decisão do prefeito gerou um bate-boca nas redes sociais entre o chefe do Executivo e a coordenadora do Sinseb, Tânia Mara Pompermayer. Durante o programa, foram repercutidas as manifestações do prefeito André Vechi e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinseb), que apresentaram posicionamentos divergentes sobre a medida.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Vechi afirmou que a administração priorizou o interesse da população e descartou a possibilidade de suspender atendimentos e aulas por causa da partida.
“Eu não vou prejudicar toda uma cidade em detrimento de um grupo de servidores que quer assistir ao jogo em casa. Sempre que eu tiver que escolher, vou ficar do lado do interesse público e da maioria da população”, declarou.
Segundo o prefeito, a decisão foi tomada após consulta a empresários e lideranças do setor produtivo, que informaram que o comércio e a indústria manteriam o expediente normal, interrompendo as atividades apenas durante o horário da partida.
Vechi destacou que os servidores da saúde e da educação poderão acompanhar o jogo no próprio local de trabalho, desde que os serviços essenciais não sejam interrompidos.
Na saúde, argumentou que consultas e atendimentos já estavam agendados para o período da tarde e que hospitais e unidades de pronto atendimento funcionaram normalmente nos jogos anteriores da competição. Na educação, afirmou que cancelar as aulas obrigaria milhares de pais a deixar o trabalho para buscar os filhos.
O prefeito também rebateu críticas sobre suposto tratamento diferenciado entre categorias. Segundo ele, servidores administrativos poderão encerrar o expediente mais cedo porque compensarão a carga horária iniciando o trabalho antes, situação que, segundo afirmou, não é viável para as áreas consideradas essenciais.
Sindicato critica decisão
A coordenadora do Sinseb contestou a justificativa apresentada pela Prefeitura e afirmou que a administração desconsiderou o convívio familiar dos servidores durante um evento realizado apenas a cada quatro anos.
Segundo o sindicato, muitos trabalhadores da iniciativa privada conseguiram negociar a compensação das horas para acompanhar a partida com a família, sem prejuízo às empresas.
A representante sindical também criticou o que chamou de falta de organização da administração municipal. Segundo ela, as orientações sobre o expediente foram alteradas em curto espaço de tempo, gerando insegurança entre os servidores.
Outro ponto levantado pelo Sinseb foi o tratamento diferenciado entre categorias. O sindicato afirma que todos os setores da administração são importantes e questiona por que apenas saúde e educação permaneceram sem flexibilização.
Além disso, a coordenadora sugeriu que a Prefeitura poderia instalar um telão para que os servidores acompanhassem a partida no local de trabalho e retornassem às atividades após o término do jogo.
Para o Sinseb, utilizar o impacto à população como justificativa para a decisão acaba colocando os moradores contra os servidores públicos, o que a entidade classificou como inadequado.
O debate ocorre após a Prefeitura definir que os serviços administrativos terão expediente diferenciado no dia da partida da Seleção Brasileira, enquanto as áreas consideradas essenciais, como saúde e educação, manterão o funcionamento normal.


