O comandante da 3ª Companhia do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC) em Brusque, capitão Rafael de Fáveri, foi o entrevistado desta sexta-feira (03) no Rádio Revista Cidade. Durante a conversa, ele detalhou o andamento do projeto da nova sede do quartel no centro da cidade, além de falar sobre reforço no efetivo, aquisição de equipamentos e o aumento no número de ocorrências atendidas pela corporação.
Segundo o capitão, o edital da obra prevê um prazo de seis meses para a elaboração dos projetos complementares, com início da construção logo em seguida. No entanto, o anteprojeto arquitetônico, que já define os ambientes, dimensões e medidas de cada espaço do novo quartel, já está concluído, o que deve acelerar o processo. O comandante afirmou acreditar que a etapa de projetos poderá ser concluída em prazo inferior ao previsto no edital.
De acordo com Fáveri, as imagens já divulgadas anteriormente têm caráter apenas ilustrativo, e o desenho final da estrutura passará por ajustes técnicos para compatibilizar os projetos arquitetônico, estrutural e hidrossanitário. Ele destacou que a nova estrutura será planejada com base nas necessidades atuais da corporação, que mudaram significativamente na última década, um exemplo citado foi o fim da preparação de refeições dentro do quartel, substituída por auxílio-alimentação aos militares, o que reduziu a necessidade de uma cozinha de grande porte e permitiu redirecionar espaço para outras áreas prioritárias.
A nova sede será construída em um terreno já disponível, sem interferir na estrutura do antigo quartel localizado à beira-rio, que hoje abriga a Polícia Científica e mantém um ponto de atendimento dos bombeiros no centro da cidade.
O valor definido para a construção da nova sede é de R$ 10.032.339,14. O capitão esclareceu que, mesmo após a conclusão da obra no centro, o quartel de Águas Claras — recentemente reformado, continuará em operação. Segundo ele, a geografia alongada do município exige a manutenção dos dois pontos de atendimento para garantir um tempo de resposta adequado às ocorrências.
Fáveri destacou que, nos últimos meses, a companhia recebeu reforço de 11 militares para Brusque, além de um militar para Guabiruba e outro para Botuverá. Esse incremento já permitiu manter ambulâncias e caminhões operando simultaneamente no centro e em Águas Claras, revertendo um cenário de efetivo reduzido enfrentado anteriormente.
O comandante também informou que uma turma de 660 bombeiros militares temporários está em formação, com previsão de conclusão para o fim de setembro, além de outra turma de cerca de 100 novos bombeiros de carreira, com previsão de conclusão para o início do próximo ano, nesse mesmo processo, dez oficiais também iniciarão curso de formação. Segundo Fáveri, trata-se do maior incremento de efetivo em cem anos de história do Corpo de Bombeiros no município, data que a corporação completa também em setembro.
O capitão apresentou dados que mostram um salto no número de atendimentos: de 3.874 ocorrências em 2024 para 4.384 em 2025, com uma média atual de 15 a 17 atendimentos por dia. Segundo ele, o crescimento está relacionado ao aumento populacional de Brusque e da região, impulsionado pela chegada de novos moradores, o que tem exigido reorganização constante de efetivo, viaturas e equipamentos para atender à demanda.
A corporação recebeu recentemente um caminhão-bomba novo, integrante de um lote de 56 veículos distribuídos pelo CBMSC em todo o estado, dos quais dois foram destinados a Brusque. Um segundo caminhão novo deve chegar em até três meses, e o veículo mais antigo, de 2014, passará a atuar como reserva da companhia, servindo de apoio também para Guabiruba e Botuverá em caso de necessidade.
Entre os equipamentos adquiridos recentemente, o comandante citou ferramentas de desencarceramento a bateria, mais práticas do que os antigos modelos a combustão, e equipamentos automáticos de massagem cardíaca, hoje disponíveis em Brusque, Guabiruba e Botuverá. A corporação também conta com drones, já utilizados em buscas de pessoas perdidas em trilhas, e com uma equipe de quatro mergulhadores na companhia local, integrada a um grupo de 18 mergulhadores no batalhão regional, sediado em Blumenau.
Segundo Fáveri, as áreas que ainda demandam avanços em equipamentos são o salvamento em altura e o atendimento a ocorrências envolvendo deslizamentos e estruturas colapsadas.
Questionado sobre os maiores desafios enfrentados atualmente, o capitão foi enfático ao apontar os acidentes de trânsito, especialmente os que envolvem motociclistas, como o principal problema relacionado a emergências no município. Segundo ele, esses acidentes costumam resultar em fraturas graves, capazes de afastar a vítima do trabalho por meses e impactar diretamente a rotina familiar.
O comandante fez um apelo à população para maior atenção e prudência no trânsito, citando manobras arriscadas e imprudência como fatores recorrentes observados pela corporação nos atendimentos diários.
Por fim, Fáveri destacou a importância do programa de bombeiros comunitários, formado por voluntários que recebem apenas uma indenização para cobrir custos de alimentação e transporte. Somente no ano passado, 18 novos bombeiros comunitários foram formados, e uma nova turma de 27 está em formação atualmente. Em média, cinco bombeiros comunitários atuam por dia na companhia, ampliando a capacidade de resposta e disseminando conhecimentos básicos de atendimento de emergência pela comunidade.




