Ele já correu 170 maratonas, tem 93 anos e garante que a próxima prova é neste domingo (12), em Porto Alegre. Francisco Lima, nascido em Pernambuco e hoje morador de Goiânia, esteve em Brusque nesta semana e concedeu entrevista para a reportagem da Cidade FM, contando uma trajetória que mistura teimosia, propósito e uma dose de humor.
Francisco só começou a correr aos 75 anos, mas o sonho vinha de muito antes. Ainda adolescente, ao deixar Pernambuco aos 17 anos, disse ao pai que queria ser o melhor maratonista do mundo. A resposta não foi de incentivo: o pai previu que ele seria lavrador, e o colocou para trabalhar na roça, espantando passarinhos da plantação com uma lata pendurada no pescoço, das seis da manhã às seis da tarde.
O sonho da corrida ficou represado por décadas. Depois de Pernambuco, Francisco viveu na Bahia, depois passou 57 anos em São Paulo, até se estabelecer em Goiânia.
Hoje, aos 93, ele soma 170 maratonas completas, todas com pelo menos 42,195 km, a distância oficial da prova. Segundo ele, prova mais curta não conta: só participa das competições que respeitam essa distância.
Mas para Francisco, correr não é sobre bater recordes pessoais. Ele definiu uma meta clara: completar 200 maratonas e destinar os prêmios que conquista para ajudar quem precisa , a proposta é dividir os ganhos entre cem idosos e cem crianças de zero a 18 anos. É esse propósito, segundo ele, que o mantém treinando e viajando pelo país. Os prêmios da próxima prova, em Porto Alegre, também serão doados para uma casa de idosos na capital gaúcha.
Francisco nunca se casou, mas é pai de treze filhos, o mais novo nascido quando ele já tinha 81 anos.
Quando completar as 200 maratonas, ele já tem os próximos planos traçados: um ano se dedicando ao ciclismo, outro à capoeira. E reserva um final especial para o momento em que decidir encerrar as maratonas: pretende correr a última prova em Las Vegas e, ao chegar lá, saltar de paraquedas.
Sobre os segredos da longevidade e do desempenho físico, Francisco contou que mantém uma alimentação simples: frutas, com exceção de laranja, além de pudim, pipoca e comida caseira feita em panela. É uma dieta que, segundo ele, segue à risca há anos, para manter o peso e o equilíbrio do corpo.
Foi um outro maratonista, apelidado de "vovô 70", que aos 70 anos já havia corrido em 70 cidades diferentes, quem trouxe Francisco até Brusque. Os dois desenvolveram um laço de afeto tão forte que Francisco o adotou como filho, e hoje é chamado por ele de "pai adotivo".
Ao final da entrevista, Francisco resumiu o que sente ao correr pelo país e contar sua história: é a realização de um propósito de vida que carregava desde jovem, e que, segundo ele, está longe de terminar.




