Sindilojas promove debate sobre o futuro do varejo

O Sindicato do Comércio Varejista e Atacadista de Brusque, Botuverá e Guabiruba (Sindilojas) e o Senac promoveram, na noite de segunda-feira, 13, o talk “O valor que não se copia: Insights Internacionais para o Varejo Local.

A programação reuniu empresários e profissionais do setor, no auditório do Sindilojas, para compartilhar conhecimentos adquiridos em missões técnicas realizadas na Itália, Inglaterra e China. As apresentações abordaram temas como identidade, propósito, sustentabilidade, experiência de compra, inovação, tecnologia e construção de valor.

As experiências foram apresentadas por Meiriele Bitencourt e Cristiane Hoffmeister, profissionais do Senac com formação na área do design. Meiriele veio de Criciúma para falar sobre a missão realizada na Itália, enquanto Cristiane compartilhou referências observadas em Londres e na China.

A mediação ficou a cargo de Luciane Schuermann, do Sebrae, que contribuiu com questionamentos e reflexões a partir da experiência da instituição na realização de missões empresariais e atendimento direto às empresas da região.

A diretora da Faculdade Senac Brusque, Mara Vieira Naz, também participou das discussões e ajudou a aproximar os exemplos internacionais da realidade das empresas e da formação profissional na região.

Entre as lideranças presentes estavam o presidente do Sindilojas, Fernando Walendowsky; a vice-presidente da entidade, Mari Suzana Cassaniga Rosa; o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Brusque (CDL Brusque), Antônio Pacheco; e o diretor do Sindilojas e vice-presidente de Varejo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio SC), Marcelo Gevaerd.
 
O valor que existe além do produto
Ao iniciar sua apresentação, Meiriele Bitencourt lançou uma provocação: por que um consumidor paga R$ 30 por uma camiseta, enquanto outro aceita pagar R$ 3 mil? A diferença estaria apenas no tecido?

A pergunta conduziu o debate sobre os fatores que agregam valor a um produto. Identidade, história, excelência artesanal, propósito e domínio do processo produtivo ajudam a explicar por que determinadas marcas conquistam reconhecimento e ocupam posições distintas no mercado.

Meiriele apresentou exemplos da Gucci e da Ferragamo, empresas visitadas durante a missão. Por meio de imagens e vídeos, mostrou como as marcas italianas transformam suas trajetórias, técnicas de produção e referências culturais em parte da experiência oferecida ao consumidor.
 
A visita ao museu da Gucci evidenciou que a empresa construiu um universo em torno da marca. O consumidor não compra apenas uma peça, mas também a história, o significado e a identidade relacionados ao produto.

“O luxo nasce da excelência artesanal”, destacou Meiriele.

A valorização da mão de obra especializada foi um dos aspectos que mais chamaram a atenção na Itália. Segundo a palestrante, a excelência do país está diretamente ligada ao conhecimento e ao reconhecimento das pessoas envolvidas em cada etapa da produção.

O modelo de formação profissional também foi abordado. Na Itália, os estudantes conhecem o processo completo de desenvolvimento de uma peça, desde a criação até a execução. Essa vivência amplia o conhecimento técnico e proporciona uma visão mais consistente sobre o produto.

Sustentabilidade, circularidade e propósito estiveram entre os demais pontos apresentados. Para Meiriele, as empresas precisam compreender seus diferenciais, definir o que desejam despertar no público e traduzir sua identidade em uma proposta percebida pelo consumidor.

Nesse contexto, a tradição pode se tornar um importante potencial competitivo, especialmente quando as empresas reconhecem suas origens, seus conhecimentos e aquilo que conseguem entregar de maneira autêntica.
 
Londres mostra a força da experiência presencial
Na sequência, Cristiane Hoffmeister apresentou referências observadas em Londres e na China.

Ao falar sobre a capital inglesa, ela trouxe uma questão central para o varejo físico: diante da facilidade das compras pela internet, o que leva uma pessoa a sair de casa para visitar uma loja ou um restaurante?

A resposta está na experiência construída em torno do produto. Cristiane apresentou imagens de vitrines, fachadas e ambientes internos, chamando a atenção para o cuidado com a iluminação, as cores, o layout, a arquitetura e a disposição dos itens.

Em Londres, cada elemento é planejado para despertar interesse e estabelecer uma conexão com o consumidor. A vitrine atrai, a fachada comunica e o espaço interno ajuda a consolidar a percepção sobre a marca.

“O ambiente faz parte do produto”, afirmou.

A cidade também utiliza sua história e sua arquitetura para criar experiências comerciais. Casarões, prédios antigos, flores, cores e referências culturais integram os cenários e fortalecem a identidade dos estabelecimentos.

A partir desses exemplos, Cristiane provocou uma reflexão sobre as possibilidades existentes em Brusque e na região. O patrimônio, as construções, as tradições e as histórias locais também podem ser incorporados às fachadas, vitrines e ambientes comerciais, criando experiências conectadas com a identidade do território.
 
China alia tecnologia, velocidade e eficiência
A missão à China revelou um cenário marcado pela escala, pela agilidade e pelo uso intensivo da tecnologia.

Cristiane relatou que fábricas, centros comerciais, lojas e estruturas urbanas impressionam pelo tamanho e pela capacidade de execução. Shoppings especializados, ambientes tecnológicos e estabelecimentos visualmente elaborados demonstram o investimento na apresentação dos produtos e na construção das narrativas das marcas.

A velocidade com que as empresas desenvolvem, produzem e colocam soluções no mercado foi um dos principais aspectos observados. A China demonstra grande capacidade de transformar ideias em processos eficientes e de incorporar novas tecnologias ao cotidiano.

O avanço das fábricas, a presença expressiva de veículos elétricos e a organização dos grandes centros comerciais também chamaram a atenção durante a missão.

Ao comparar as experiências, Cristiane sintetizou que “Londres inspira, mas a China executa”.

Apesar das características distintas, as missões demonstraram que o mercado está cada vez mais globalizado e colaborativo. Produtos podem ser fabricados em um país, receber a identidade cultural de outro e chegar a consumidores em diferentes regiões do mundo.

“Nesse cenário, cabe a cada empresário avaliar onde precisa avançar e como pode incorporar novas referências sem perder suas características, sua história e seus diferenciais”, frisou.
 
Proximidade favoreceu a troca de conhecimentos
O talk foi marcado pela interação entre os participantes, as palestrantes, a mediadora e as representantes das instituições envolvidas. Durante as apresentações, o público fez perguntas, compartilhou experiências e contribuiu com reflexões sobre a aplicação dos exemplos internacionais nos negócios da região.

Para o presidente do Sindilojas, Fernando Walendowsky, a qualidade do diálogo reforçou a importância de promover espaços de conhecimento e conexão para o comércio.

“Foi um encontro muito produtivo, marcado pela proximidade e pela qualidade da troca entre os participantes. As pessoas fizeram perguntas, compartilharam experiências e buscaram compreender como essas referências internacionais podem ser aplicadas em seus negócios. O Sindilojas quer proporcionar momentos como este, que estimulem novas ideias e contribuam para o fortalecimento do comércio da nossa região”, destacou.

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