Um projeto de lei encaminhado pela Prefeitura de Brusque à Câmara de Vereadores, que cria um auxílio financeiro para atiradores do Tiro de Guerra, dominou os debates da sessão ordinária desta terça-feira (14), a última antes do recesso parlamentar de meio de ano. A proposta, originada a partir de um anteprojeto apresentado pelo vereador Jean Dalmolin (Republicanos), dividiu opiniões e foi aprovada por margem apertada.
Os principais discursos contrários partiram dos vereadores do Partido Novo, Rick Zanata e Felipe Hort. Este último liderou a defesa das emendas apresentadas e argumentou que o município não deveria criar um benefício assistencial para os atiradores.
Em seu pronunciamento, Felipe Hort afirmou que, na realidade de Brusque, há oportunidades de emprego suficientes para os jovens. "Na minha visão, em 19 anos a pessoa tem todos os elementos para realmente ter um emprego digno, para não precisar de um auxílio", disse.
O vereador também lançou um desafio aos empresários e reforçou que estaria disposto a auxiliar os atiradores na busca por trabalho. "Eu me voluntario a colocar o atirador no meu carro e levar a todas as empresas que têm emprego aqui na cidade, porque certamente a gente vai conseguir um bom trabalho para ele", declarou.
Hort explicou ainda que sua emenda tinha como objetivo exigir que o beneficiário comprovasse estar procurando emprego antes de receber o auxílio. "Se de fato esse projeto for aprovado, que aquele atirador que pleitear essa bolsa esteja em busca ativa de emprego, frequente mensalmente o Cine e comprove que realmente não possui condições de exercer uma atividade laboral", argumentou.
Ao encerrar sua manifestação, o vereador voltou a criticar a criação do benefício. "Na minha visão, é inconcebível nós, uma cidade pujante, que pleiteia o fim dos benefícios assistenciais, votarmos novamente em um benefício dessa natureza", afirmou. Segundo ele, famílias em situação de vulnerabilidade já podem ser atendidas por programas sociais da Prefeitura ou do governo federal.
Autor do anteprojeto que deu origem à proposta, o presidente da Câmara, Jean Dalmolin, defendeu a criação do auxílio e afirmou que a iniciativa representa um investimento na juventude.
"Nós não estamos inventando a roda. Estamos seguindo um caminho de valorização da juventude que já foi testado e aprovado em várias outras cidades de Santa Catarina e do Brasil", disse.
O vereador comparou o incentivo aos programas de bolsas de estudo e destacou que muitos profissionais só conseguiram se formar graças ao apoio financeiro recebido no início da carreira. "Já pararam para pensar quantos médicos, engenheiros, professores e outros grandes profissionais não teríamos hoje se não existisse esse auxílio, essa ajuda inicial?", questionou.
Dalmolin concluiu afirmando que a aprovação do projeto garante igualdade de acesso ao serviço militar. "Garantimos que o serviço militar seja para todos, e não apenas para aqueles que têm condições de arcar com os custos", declarou.
Após o debate, o projeto foi aprovado por 7 votos favoráveis e 5 contrários.




