O Clube Caça e Tiro Araújo Brusque completou 160 anos de fundação, marco celebrado com uma homenagem especial aos ex-presidentes da entidade, reconhecidos pela contribuição de cada um à trajetória do clube. A Cidade FM esteve no local e conversou com dirigentes, autoridades e um dos ex-presidentes da instituição.
Fundado em 14 de julho de 1866 por imigrantes alemães, o clube é considerado o mais antigo em atividade de tiro esportivo no Brasil. Atualmente, mantém cerca de 700 sócios e dependentes, além de receber um público ainda maior em suas atividades, cerca de 1,3 mil pessoas circulam pelo espaço.
Uma trajetória que se confunde com a própria história de Brusque
Segundo relato colhido no local, o clube nasceu como um Schützenverein, espaço onde colonos alemães se reuniam para praticar tiro e confraternizar, seis anos após a fundação do município. A entidade também abrigou o primeiro Tiro de Guerra de Brusque, um dos mais antigos do Brasil, entre 1916 e os anos seguintes.
Ao longo das décadas, o clube também se tornou palco de momentos importantes da cidade, incluindo edições do Fenarreco em períodos de enchente, quando serviu de sede para eventos municipais.
Homenagem reconhece legado dos ex-presidentes
Para o atual presidente da entidade, Iuri Alex Barni, a homenagem prestada aos ex-presidentes é uma forma de reconhecer a contribuição de cada um para a história do clube. Segundo ele, todos contribuíram para que o Caça e Tiro chegasse aos 160 anos, consolidando o que a entidade representa hoje para Brusque.
O vice-presidente, Pedro Adolfo Ohlweiler, destacou a longevidade da instituição como motivo de orgulho, resultado do trabalho de diversas diretorias que assumiram, ao longo dos anos, de forma voluntária, a missão de manter o clube vivo.
O prefeito de Brusque, André Vechi, também participou da celebração e classificou a data como um marco importante para a história do clube e da cidade. Segundo o prefeito, o clube esteve presente em todos os grandes momentos e dificuldades enfrentadas por Brusque ao longo do tempo, inclusive durante o período da Segunda Guerra Mundial.
"Um terço da existência do clube dentro da minha vida"
Um dos destaques da homenagem foi o ex-presidente Ewaldo Ristow Filho, que começou a frequentar o clube em 1967 e, pouco tempo depois, passou a integrar as diretorias da entidade. Em entrevista à Cidade FM, ele contou que convive com o Caça e Tiro há praticamente um terço da existência da instituição.
Segundo Ristow Filho, a homenagem representa o reconhecimento pela dedicação de quem ajudou a construir a história do clube ao longo das décadas, com amizades construídas e uma luta constante para manter viva uma trajetória que, segundo ele, "não deve morrer".
Estrutura de lazer sem custo para os associados
Além da tradição do tiro esportivo, o clube mantém hoje uma estrutura ampla de lazer para os sócios. A entidade oferece turmas de bolão, modalidades diversas de tiro, parque aquático com piscina semiolímpica e piscina aquecida, aulas de natação infantil e para adultos, hidroginástica, horários livres para natação, além de yoga e pilates — todas as atividades oferecidas sem custo adicional aos associados.
O clube também mantém um papel na preservação da memória histórica da cidade, reunindo ex-presidentes e registros que contam a trajetória da entidade. Neste ano, o tema da exposição realizada na Casa de Bruxos é justamente a história do Clube Caça e Tiro Araújo Brusque.
Desafio de manter a tradição do tiro esportivo diante de novas regras
Durante a conversa com a Cidade FM, Ewaldo Ristow Filho também comentou os desafios enfrentados pelo clube para manter viva a tradição do tiro esportivo. Segundo ele, o maior obstáculo atual não é atrair novas gerações, mas o controle cada vez mais rígido sobre armamento no país.
O ex-presidente afirmou que a fiscalização, antes conduzida pelo Exército, hoje está a cargo da Polícia Federal e se tornou mais rigorosa. Ele defendeu que as armas utilizadas nos clubes de tiro esportivo têm finalidade exclusivamente competitiva, com baixo calibre e sem capacidade de repetição, sendo praticadas em ambiente de segurança e confraternização entre os atiradores.
Um marco para preservar e contar
Com 160 anos de história, o Clube Caça e Tiro Araújo Brusque segue como um dos símbolos da colonização alemã na cidade, unindo tradição esportiva, memória histórica e lazer para a comunidade, um legado que, segundo seus dirigentes, deve continuar sendo contado e valorizado pelas próximas gerações.




