A Associação de Pais e Amigos dos Autistas (AMA) de Botuverá deu um passo importante em sua trajetória com a conquista de uma sede própria. Em entrevista ao Rádio Revista Cidade desta quinta-feira (23), o presidente da entidade, Felipe Vogel, falou sobre a nova estrutura, os próximos desafios e a expectativa de iniciar os atendimentos às famílias do município.
Segundo Felipe, o espaço foi cedido pela Prefeitura de Botuverá por meio de concessão de uso por 10 anos. A sede está localizada no bairro Pedras Grandes, no prédio da antiga escola da comunidade.
"Foi um grande avanço. Hoje já temos um espaço garantido para começar a estruturar a AMA e desenvolver o nosso trabalho", destacou.
A intenção da associação é transformar o prédio em um centro de atendimento especializado, com salas para terapias, acolhimento das famílias e realização de capacitações e eventos voltados ao autismo.
Apesar da conquista da sede, Felipe explica que a entidade ainda precisa arrecadar recursos para adequar o espaço.
"Nós temos tudo e não temos nada. Temos a sede, que já é um grande passo, mas agora precisamos fazer divisórias, mobiliar as salas e buscar recursos para contratar profissionais."
A expectativa da diretoria é deixar toda a estrutura pronta até o fim deste ano.
De acordo com um levantamento da própria associação, Botuverá tem entre 50 e 60 crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de outras em processo de investigação. Até o momento, cerca de 15 famílias já realizaram cadastro junto à entidade, número que deve crescer conforme a associação avança na divulgação do trabalho.
Inicialmente, o foco será o atendimento às crianças, embora a associação também pretenda oferecer acolhimento e orientação às famílias e, futuramente, atender adultos diagnosticados com autismo.
Felipe explicou que a AMA ainda não pode receber recursos públicos estaduais e federais devido a exigências legais. Segundo ele, entidades sem fins lucrativos precisam ter pelo menos dois anos de CNPJ para acessar verbas estaduais e federais, e um ano de atividade para firmar convênios municipais.
Enquanto isso, a associação depende de eventos beneficentes, doações e da colaboração da comunidade para manter suas atividades.
Um dos principais objetivos da AMA é oferecer atendimento terapêutico às crianças autistas do município. Felipe ressaltou que muitas famílias enfrentam dificuldades para custear sessões de psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia e acompanhamento com neuropediatras.
"O nosso maior sonho é estruturar a AMA para conseguir oferecer essas terapias. Sabemos que existem famílias em que praticamente um salário inteiro vai para pagar os tratamentos."
Ele também destacou que o acompanhamento contínuo faz diferença no desenvolvimento das crianças.
"Quando a criança faz as terapias corretamente, a evolução é muito perceptível, tanto para ela quanto para toda a família."
A associação pretende trabalhar em conjunto com a Prefeitura para facilitar o acesso aos atendimentos, inclusive para moradores das comunidades do interior de Botuverá. A ideia é buscar futuras parcerias para o transporte das famílias e também atrair profissionais de Brusque e região para atender na sede da entidade.
Felipe comemorou o apoio recebido da população desde a criação da AMA. Segundo ele, moradores e profissionais têm procurado espontaneamente a associação para oferecer ajuda, como serviços de elétrica, mão de obra e doações para a estruturação do espaço.
"O pessoal de Botuverá está acolhendo a AMA. Muitas pessoas chegam perguntando do que precisamos e oferecendo ajuda. Isso nos motiva a continuar."
A AMA de Botuverá mantém informações sobre as ações da entidade e o cadastro de famílias por meio do Instagram @autismo.botuvera. A associação também prepara novos eventos de conscientização sobre o autismo para os próximos meses.




